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Teologia Inclusiva

Sobre a Teologia Inclusiva

Gênesis  A Criação
Pesam sobre nós as acusações de que distorcemos a Palavra de Deus como apoio aos nossos interesses e objetivos. Em virtude disso, em nossas e reflexões, lançaremos mão das principais regras da Hermenêutica, ciência responsável pela análise, compreensão e interpretação das Sagradas Escrituras.
É comum ouvirmos a frase, em tom sarcástico: Deus criou Adão e Eva e não Adão e Ivo; Deus criou homem e mulher. Não temos dúvida de que tal afirmação é verdadeira, os homossexuais ou são homens ou mulheres. Fomos todos feitos à imagem e semelhança do Criador!
Criou Deus, pois, o homem à sua imagem e semelhança, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou Gênesis 1.27
A sexualidade humana é algo complexo e vai além das noções de masculino e feminino, vai além da noção de homem e mulher. No ato da criação, observamos uma das principais funções do seres humanos naquele momento: a procriação e o povoamento da Terra:
E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a Gênesis 1.28ª
Diante desse fato, concluímos que o texto de Gênesis é uma descrição do que se vê como padrão para a maioria e não uma prescrição daquilo que deve ser obedecido por todas as pessoas, até porque seria natural hoje em dia que irmãos se casassem com irmãos, o que não é natural nem aconselhável. Da mesma forma, surgem outras questões: todos deveriam casar-se e ter filhos? Será que os que escolhem permanecer solteiros estão em pecado por não se casarem?
Portanto, deixará o homem a seu pai e a sua mãe e unir-se-á à sua mulher... Gênesis 2.24
Será que as pessoas inférteis estão em pecado por sua incapacidade de gerar filhos? Certamente que não. O contexto envolvido na criação é único, a realidade atual é um contexto bem diferente daquele. Transportar a descrição do Gênesis como regra para os dias atuais seria uma incoerência. Deve-se levar em conta, também, o fato de que a Bíblia foi escrita num contexto patriarcal, culturalmente heterossexualista.
Muitos homossexuais, desconhecendo certas verdades bíblicas, motivados pelas crenças generalizadas do Cristianismo tradicional, entregam-se ao casamento heterossexual, têm filhos, têm companhia, agem conforme o texto do Gênesis, mas são infelizes, pois lutam contra um sentimento que lhes é inerente, lutam contra uma situação que lhes foi imposta pela sociedade, abrem mão de suas necessidades para satisfação da família, dos amigos, da igreja. O resultado disso é a infelicidade, a frustração e, em muitos casos, infidelidade e depressão. O próprio Jesus afirmou que o casamento heterossexual não era para todos:
Disseram-lhe seus discípulos: Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar. Ele, porém, lhes disse: Nem todos podem receber esta palavra, mas só aqueles a quem foi concedido. Porque há eunucos que assim nasceram do ventre da mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se castraram a si mesmos, por causa do reino dos céus. Quem pode receber isto, receba-o. Mateus 19.10, 11 e 12
Sobre essas palavras de Jesus, trataremos posteriormente.
Todos os homens são obra das mãos de Deus, independentemente de sua afetividade, de seus sentimentos. Será que Deus criaria alguns predestinados à condenação? Ao inferno? Certamente que não. Os avanços da ciência já comprovam que a sexualidade não é algo adquirido ou aprendido. Quem ensinaria seu filho a ser gay ou quem escolheria essa condição em uma sociedade tão preconceituosa? Ninguém, certamente. Assim como a heterossexualidade, a homossexualidade é inerente ao ser humano. Nem todos, porém, são homossexuais em sua essência. Há casos em que pessoas heterossexuais se envolvem em práticas homossexuais motivadas por vários fatores que não a sua sexualidade inata. Abordaremos isso quando chegarmos às Cartas Paulinas.
Todas as pessoas são capazes de amar outra, com intensidade, com sinceridade. O amor e a capacidade de amar provêm de Deus:
Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. 1 João 4.7
O que Deus condena é a fornicação, a prostituição e todo pecado que visa somente à satisfação física e carnal, seja para heterossexuais ou homossexuais:
Temos consciência de que a Torah não tem por objetivo a pessoa justa, mas quem negligencia a Torah: descrentes, ímpios e pecadores, quem mata pai e mãe, assassinos, pessoas sexualmente imorais  quer heterossexuais, quer homossexuais , vendedores de escravos, mentirosos e perjuros, e quem age de forma contrária à sã doutrina. (1º Timóteo 1.9 e 10 -  Novo Testamento Judaico)
Deus jamais condenaria o amor entre iguais, uma relação baseada em consentimento mútuo, fidelidade, respeito e sentimento. Portanto, não tenha medo, nem se sinta fora do plano de Deus para sua vida afetiva! Não se prive de vivenciar o amor, pois o amor vem de Deus! Aleluia!
(Estudo completo no livro Bíblia e homossexualidade: verdade e mitos)
Sodoma e Gomorra: violência, orgulho e falta de hospitalidade
Há muitos séculos se tem atribuído a destruição de Sodoma e Gomorra à homossexualidade. Porém, um estudo atento do texto bíblico tem muito a nos revelar sobre as reais transgressões dessas duas cidades antigas. Neste caso, a regra de ouro da hermenêutica (a Bíblia explica a própria Bíblia) será nossa principal ferramenta de análise e interpretação. O uso da palavra sodomia como referência a atos homogenitais data da Idade Média e foi um conceito cunhado pelo teólogo Tomás de Aquino.
Vejamos o que nos diz o mais conhecido e utilizado relato sobre Sodoma e Gomorra. As partes em negrito merecem destaque:
1) Ao anoitecer, vieram os dois anjos a Sodoma, a cuja entrada estava Ló assentado; este, quando os viu, levantou-se e, indo ao seu encontro, prostrou-se, rosto em terra. 20) E disse-lhes: Eis agora, meus senhores, vinde para a casa do vosso servo, pernoitai nela e lavai os pés; levantar-vos-eis de madrugada e seguireis o vosso caminho. Responderam eles: Não; passaremos a noite na praça. 3) Instou-lhes muito, e foram e entraram em casa dele; deu-lhes um banquete, fez assar uns pães asmos, e eles comeram. 4) Mas, antes que se deitassem, os homens daquela cidade cercaram a casa, os homens de Sodoma, tanto os moços como os velhos, sim, todo o povo de todos os lados; 5) e chamaram por Ló e lhe disseram: Onde estão os homens que, à noitinha, entraram em tua casa? Traze-os fora a nós para que abusemos deles. 6). Saiu-lhes, então, Ló à porta, fechou-a após si 7. e lhes disse: Rogo-vos, meus irmãos, que não façais mal; 8- tenho duas filhas, virgens, eu vo-las trarei; tratai-as como vos parecer, porém nada façais a estes homens, porquanto se acham sob a proteção de meu teto. 9) Eles, porém, disseram: Retira-te daí. E acrescentaram: Só ele é estrangeiro, veio morar entre nós e pretende ser juiz em tudo? A ti, pois, faremos pior do que a eles. E arremessaram-se contra o homem, contra Ló, e se chegaram para arrombar a porta. (ARA)
Alguns pontos sobre esse texto devem ser considerados: 1)Todos os homens daquela cidade cercaram a casa de Ló (4); 2) Eles exigiam que os estrangeiros (anjos) que ali estavam fossem postos para fora a fim de que fossem abusados(5); 3)Os sodomitas nutriam sentimento de xenofobia (9).
O texto revela claramente uma tentativa de violência sexual coletiva aos visitantes de Ló motivada pela xenofobia. Os habitantes de Sodoma transgrediram violentamente a lei da hospitalidade, sagrada para os povos semíticos (Êxodo 22.21). Na tentativa de humilhar os visitantes, mostraram-se maus, arrogantes e soberbos. Enxergar homoafetividade em tal gesto de violência demonstra uma completa ignorância ao que de fato a Bíblia diz. Se uma leitura atenta desse relato não bastar para se compreender o real pecado dessas cidades, examinemos outros textos bíblicos:
Ezequiel 16.49 e 50:
49)Eis que esta foi a iniqüidade de Sodoma, tua irmã: soberba, fartura de pão e próspera tranqüilidade teve ela e suas filhas; mas nunca amparou o pobre e o necessitado. 50) Foram arrogantes e fizeram abominações diante de mim; pelo que, em vendo isto, as removi dali.
Lucas 10. 10-12:
10) Quando, porém, entrardes numa cidade e não vos receberem, saí pelas ruas e clamai: 11) Até o pó da vossa cidade, que se nos pegou aos pés, sacudimos contra vós outros. Não obstante, sabei que está próximo o reino de Deus. 12) Digo-vos que, naquele dia, haverá menos rigor para Sodoma do que para aquela cidade.
O profeta Ezequiel, em harmonia com o relato de Gênesis, aponta o orgulho e o egoísmo como pecados de Sodoma. Jesus, no texto acima, aponta a falta de hospitalidade como a transgressão de Sodoma. Nenhuma palavra sobre homoafetitivade consta em tais textos.
Até mesmo os livros deuterocanônicos* (das edições católicas) expressam a mesma idéia sobre Sodoma e Gomorra:
Eclesiástico 16.8
Não poupou os concidadãos de Ló, aos quais detestou por seu orgulho.
Sabedoria 19.13-17
13) Sobre os pecadores, porém, caíram os castigos de raios violentos, não sem as advertências que antes lhes tinham sido feitas; mas sofriam justamente por causa de suas próprias maldades, por terem praticado a mais detestável falta de hospitalidade. 14) Houve quem não acolhesse visitantes desconhecidos; outros reduziram à escravidão esses hóspedes que lhes faziam bem. 15) E não só isto: se ainda se aguarda julgamento contra aqueles que receberam com hostilidade a estrangeiros, 16) quanto mais contra os que atormentaram com cruéis sofrimentos aqueles a quem tinham recebido com alegria e que haviam participado dos mesmos direitos! 17) Por isso, foram feridos de cegueira como aqueles, à porta do justo, quando, envolvidos em densas trevas, cada qual procurava a direção da sua casa. (CNBB)
Há outros textos bíblicos que confirmam que os pecados de Sodoma e Gomorra nada tinham a ver com a homossexualidade.
*Tais livros não constam da Bíblia protestante pois não se reconhece neles a inspiração divina, porém, constituem documentos valiosos no que diz respeito a fatos históricos.
(Estudo completo no livro Bíblia e homossexualidade: verdade e mitos.
Levítico: Os cananeus e a prostituição cultual
Outro texto largamente utilizado para condenar os homossexuais é Levítico 18.22 e 20.13:
Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é. (18.22 ARA)
Se também um homem se deitar com outro homem, como se fosse mulher, ambos praticaram coisa abominável; serão mortos; o seu sangue cairá sobre eles.. (20.13 ARA)
Existem vários pontos a se considerar sobre esses versículos, entre eles: se existe condenação à homoafetividade, por que o sexo entre mulheres não foi mencionado? Por que as igrejas cristãs tradicionais não defendem a morte para os homossexuais? O texto é bem claro ao impor a morte àqueles homens que praticassem atos homogenitais (20.13b). Não o fazem porque interpretam alguns textos de forma seletiva, utilizando versículos e trechos isolados, violando a regra da contextualização. Nos textos em questão, o descumprimento das leis da Exegese pela maioria dos cristãos é incontestável, pois desconsideram grande parte dos mandamentos ali contidos, como, por exemplo, a proibição de comer gordura (7.23), mariscos (11.12) ou de usar roupas de diferentes tecidos (19.19). É muito fácil defender um dogma considerando-se apenas uma parte isolada de um texto.
O texto original diz, literalmente, com outro homem não te deitarás como o deitar de uma mulher.  Fica claro, na forma como o texto original foi escrito, tanto em 18.22 como em 20.13, que, embora o pecado seja cometido por duas pessoas, tal condenação está centrada no papel passivo da relação homogenital. Como exposto no capítulo anterior, tal papel era sinônimo de submissão e ultraje para qualquer homem, pois o tornava semelhante a uma mulher. Era assim que os prostitutos cultuais dos templos pagãos se submetiam às relações sexuais de seus rituais. Israel fora chamado para ter supremacia sobre os outros povos (Deuteronômio 28.1 e 13). Qualquer ato que significasse subserviência ou humilhação não seria tolerado. Vejamos alguns pontos importantes do texto em questão:
1) Não imiteis as práticas do Egito onde moraste. Não imiteis as ações que se praticam em Canaã, aonde vos estou levando; não sigais os seus costumes. 21) Não darás nenhum de teus filhos para os fazeres passar pelo fogo a Moloque, nem profanarás o nome de teu Deus; eu sou Jeová. 22) Não te deitarás com homem, como se fosse mulher; é uma abominação. 23) Nem te deitarás com animal, para te contaminares com ele, nem a mulher se porá perante um animal, para ajuntar-se com ele; é confusão. 24) Não vos contamineis com nenhuma dessas coisas, porque é assim que se contaminaram as nações que vou expulsar diante de vós. 27) Porque todas estas abominações fizeram os homens desta terra, que nela estavam antes de vós; e a terra foi contaminada. 29) Porém, qualquer que fizer alguma destas abominações, sim, aqueles que as fizerem serão extirpados do seu povo. (Levítico 18 ARA)
O texto bíblico (v.1) refere-se a todos esses atos como práticas e costumes cananeus, indicando algo que vai além de condutas esporádicas, de uma pequena parcela da comunidade, como as relações homoafetivas. Segundo as pesquisas, os homossexuais estão estimados entre 5% a 10% da população e apenas uma parcela desse percentual encontra-se em situação de união monogâmica estável. As práticas relatadas em Levítico 18 eram costumeiras naqueles povos e algumas delas estavam associadas a ritos religiosos. Algumas expressões do texto em estudo revelam que todas essas práticas faziam parte do cotidiano dos povos cananeus, não eram condutas isoladas, mas algo generalizado como indica a sentença a terra foi contaminada (v.27b).
É interessante notar que a lista de proibições sexuais muda drasticamente quando o versículo 21 introduz a proibição das práticas idolátricas, neste caso, a devoção ao deus Moloque, uma divindade conhecida pelos seus ritos licenciosos e pelo sacrifício de crianças. Em seguida, surgem as proibições aos atos homogenitais entre homens e às práticas sexuais com animais.
Nos capítulos 18 e 20, há referências às práticas sexuais dos cananeus como leis ou estatutos daquelas nações (18.30; 20.22 e 23), o que confirma a forte ligação desses costumes com a cultura, as divindades e os rituais locais. Jeová ordenou que Israel seguisse suas leis e seus estatutos, não as leis e estatutos dos deuses pagãos. Percebemos, pela leitura de Levítico 18.21-24, que Deus deseja preservar Israel das práticas sexuais idolátricas dos povos estrangeiros que havia na terra de Canaã:
Portanto guardareis o meu mandado, não fazendo nenhum dos estatutos abomináveis que se fizeram antes de vós, e não vos contamineis com eles: Eu [sou] o Senhor vosso Deus. (18.30 ARC)
Guardareis todos os meus estatutos, todas as minhas normas e os porei em prática; assim não vos vomitará a terra à qual vos conduzo para nelas habitardes. Não seguireis os estatutos das nações que eu expulso de diante de vós, pois elas praticaram todas estas coisas e, por isso me aborreci delas. (20.23 e 23 BJ)
Em Deuteronômio 23. 17 e 18, encontramos uma clara alusão a esse tipo de ritual:
17) Não haverá mulher israelita que se prostitua em rituais (qedesha), nem haverá quem faça isso entre os homens israelitas (qedesh). 18) Não trarás o salário da prostituta (qedesha) nem o pagamento do prostituto (keleb) para a casa do Senhor teu Deus para pagar voto algum, pois essas duas coisas são abominação (toevah) para o Senhor teu Deus.
As religiões cananeias enfatizavam a capacidade reprodutora da terra, as colheitas e tudo que estava ligado à fertilidade, visto que aqueles povos eram essencialmente agrícolas.
Essa ênfase explica a importância dos intercursos sexuais em suas cerimônias. Seus cultos incluíam ritos, muito comuns naquelas religiões, como a prostituição sagrada ou cultual, rituais em honra à fecundidade, celebrados com práticas orgíacas, principalmente em devoção aos deuses Moloque, Milcom, Astarote e Baal. Escavações arqueológicas revelaram que os seus templos eram centros de vícios orgíacos, com sacerdotes agindo como prostitutos homossexuais e sacerdotisas prostitutas.
O sexo em nossa cultura não constitui elemento vinculado a rituais religiosos, exceto em circunstâncias muito específicas. Nenhuma forma de sexo, hoje, seja homossexual ou heterossexual, tem a conotação cultural ou religiosa proibida em Levítico. Assim, tal código torna-se irrelevante para direcionar ou prescrever uma conduta heteronormativa.
(Estudo completo no livro Bíblia e homossexualidade: verdade e mitos.)
Eunucos: outra designação para homossexuais
Jesus apresentou conceitos espirituais inovadores para aquelas comunidades acostumadas aos rígidos ditames da Lei Mosaica. Uma das provas de que os Evangelhos não condenam a homoafetividade é o fato de Jesus nunca ter dito nenhuma palavra contrária para tais relações. Antes, Jesus reconhece a existência de uma diversidade.
Dentre os textos mais reveladores, temos o relato de Mateus 19.3-12. Aqui, Jesus reconhece alguns pontos da diversidade sexual de sua época:
10) Disseram-lhe seus discípulos: Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar. 11) Ele, porém, lhes disse: Nem todos podem receber esta palavra, mas só aqueles a quem foi concedido. 12) Porque há eunucos que assim nasceram do ventre da mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se castraram a si mesmos, por causa do reino dos céus. Quem pode receber isto, receba-o. (ACF)
Nesse texto, Jesus afirma que nem todos estão aptos para receber o conceito do casamento heterossexual indissolúvel (v.11). Em seguida, Cristo explica três razões para isso: 1) há eunucos de nascença; 2) há eunucos que foram feitos pelos homens; e 3) os que se fazem eunucos pelo reino de Deus, ou seja, os celibatários. Dessa lista, apenas no terceiro caso Jesus usou o termo de maneira metafórica, figurada. O que mais interessa a esse estudo é a primeira acepção, ou seja, os eunucos de nascença.
Comumente, os eunucos eram homens intencionalmente castrados para servir nos palácios, principalmente na função de guardar as mulheres sem que pudessem oferecer algum risco sexual a elas. Era imprescindível que os monarcas tivessem a certeza da paternidade dos filhos a fim de que a sucessão real fosse legítima e reconhecida. Exatamente por isso, os eunucos eram respeitados e dignos de total confiança, e em alguns momentos a Bíblia se refere a eles como oficiais da corte (Atos 8.27). 
 No hebraico e no aramaico (língua falada por Jesus) não havia uma palavra específica para designar os homossexuais, mas estudos indicam que o termo eunuco era também empregado para se referir aos homossexuais masculinos:
O judaísmo conhecia apenas duas categorias de eunucos: Os feitos pelo homem (em hebraico sãrïs 'ãdhãm) e aqueles que nasceram congenitamente incapazes ou sem libido (instinto e desejos sexuais) chamados de natural ou eunuco do sol (em hebraico sãrïs hammâ).
Dentre as características para se identificar um eunuco de nascença, o Talmude  cita os modos frágeis, pouca barba, a suavidade do cabelo, da pele e a voz efeminada. Nenhum dos seus testes envolve a verificação da presença de defeitos anatômicos nos órgãos reprodutores. Inclusive, tais eunucos eram associados comumente com o desejo homossexual.
O Caso do centurião  de Cafarnaum
Outro relato dos Evangelhos bastante revelador é o episódio envolvendo Jesus e um centurião romano da cidade de Cafarnaum. O milagre da cura do servo do centurião encontra-se narrado por Mateus, Lucas e João. Cada um dos evangelistas narra a história com diferentes nuances, cada uma delas com detalhes bastante reveladores e complementares.
No relato de Mateus (8.5-13), o comandante romano referiu-se a seu escravo empregando a palavra grega pais.  Esse é um termo bastante intrigante quanto ao seu sentido. A palavra grega pais tem vários significados: criança (Mateus 21.15), menino (Mateus 17.18) e servo (Mateus 8.6). Neste último caso, embora em um sentido pouco comum, pode ser traduzida e interpretada como um escravo jovem cujo proprietário mantém para favores sexuais. O termo pederastia  deriva do mesmo radical. As várias traduções suprimiram as possíveis conotações sexuais do termo utilizando as expressões meu servo, meu empregado. A versão ARA utilizou uma expressão um tanto curiosa: meu rapaz (v.8). Tais relações com conotações sexuais eram bastante comuns no Império Romano e, embora condenadas pela tradição judaico-cristã, a sociedade romana as tolerava. É fato que havia um componente abusivo em tais relações (vide nota sobre pederastia), mas este não parece ser o caso do centurião, já que Lucas acrescenta que o servo lhe era muito querido (Lucas 7.2), o que explica o esforço do comandante em buscar a ajuda de Jesus. Lucas também utilizou a palavra entimos, termo que denota, também, afetividade e intimidade. O fato de o centurião não se ter ausentado de casa durante a doença do servo (Lucas 7.6) também reforça a possível relação afetiva entre eles, pois tal gesto sugere cuidado e proteção.
O relato de Lucas se refere ao servo como doulos, termo mais específico que significa servo, porém sem uma conotação de escravidão . Tal acepção reforça o conceito de que não se tratava de um escravo comum. O texto de João o coloca como filho do comandante, o que reforça os laços afetivos entre eles, já que um filho desfruta de tratamento e consideração superior à relação senhor/servo (João 4.46). Porém, é improvável que se trate de um filho, pois o termo doulos usado por Lucas descarta tal interpretação.
Lucas também afirma que ele havia construído uma sinagoga (7.5b), portanto o centurião era um homem rico e poderia substituir facilmente o servo a qualquer momento, bastaria comprar outro. As motivações do centurião são, antes, afetivas ou, mais provavelmente, homoafetivas. O mesmo texto indica que, possivelmente, era um homem temente a Deus, porque, além de construir a sinagoga, Lucas acrescenta que ele amava a nação de Israel (7.5a). Jesus conhecia o coração e a vida íntima daquele homem, entretanto, ele não condena sua relação, antes, elogia sua fé, curando seu servo. É interessante mencionar, como já vimos, que Jesus contrariou muitos preceitos da tradição religiosa e cultural judaica, quebrando paradigmas e revelando uma nova realidade para seus seguidores.
Romanos 1. 26 e 27: Idolatria e Ritos Orgíacos
Para uma análise e uma interpretação coerentes deste texto bíblico, precisamos lançar mão de dois dos principais princípios da hermenêutica e da exegese: o contexto textual e sociocultural.
Quando analisamos o contexto textual, percebemos que os versículos 26 e 27 de Romanos 1 têm o seu conteúdo específico iniciado a partir do versículo 18: a impiedade dos homens e a supremacia de Deus em relação à Criação. A idolatria é um dos temas centrais, o que fica evidente pelos versículos 23 a 25. O Versículo 26 inicia-se com a expressão por isso, ou seja, o que está explícito a partir desse ponto é o resultado das ações humanas descritas nos versos anteriores.
A sociedade romana se destacava pelo seu grande panteão, o que a colocava como um dos povos mais idólatras da época. Paulo, no texto em questão, faz uma análise das conseqüências negativas resultantes dessa prática tão abominável diante de Deus. Uma das práticas relacionadas aos cultos idolátricos era a prostituição cultual. Ali, homens heterossexuais se envolviam em rituais homossexuais, o que justifica a expressão: deixaram a relação natural com a mulher. Ou seja, homens heterossexuais, trocaram uma conduta sexual que lhes era natural por uma conduta contrária à sua natureza, ou seja, uma prática homossexual.
Quanto à homossexualidade feminina, o texto de Paulo não é definitivo em afirmá-la, havendo, inclusive, quem acredite que Paulo mencionava o sexo anal. Essa interpretação perdurou durante toda a idade média. Tudo indica, porém, que Paulo esteja fazendo uma alusão a duas cerimônias: a de Dona Dea, a boa deusa e às bacanais: Nas cerimônias da boa deusa, restritas às mulheres, era comum a prática de cópula com animais. Nas bacanais, o incesto era parte dos ritos de iniciação.
O texto faz menção a relações contrárias à natureza praticadas em um contexto bastante específico: a adoração de ídolos. Nenhuma menção há sobre as relações homoafetivas e monogâmicas da sociedade atual.
O texto fala de homens e mulheres que praticaram perversões sexuais específicas, algo explicitamente contrário a sua natureza, ou seja, mulheres praticando sexo com animais ou com pessoas da mesma família bem como homens heterossexuais praticando atos homogenitais entre si . Os homossexuais masculinos nunca deixaram a relação natural com a mulher (v.27), simplesmente porque isso nunca lhes foi natural, portanto, constitui erro utilizar Romanos 1. 26 e 27 para condenar os homossexuais, sejam homens ou mulheres.
Coríntios e Timóteo:
Prostituição masculina, devassidão e sexo abusivo entre homens
1 Coríntios 6.9
9Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas,
10nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus.
1 Timóteo 1.10:
9tendo em vista que não se promulga lei para quem é justo, mas para transgressores e rebeldes, irreverentes e pecadores, ímpios e profanos, parricidas e matricidas, homicidas,
10impuros, sodomitas, raptores de homens, mentirosos, perjuros e para tudo quanto se opõe à sã doutrina.
A grande chave para se rejeitar esse texto como referência à homossexualidade é a dificuldade em saber com certeza o significado das palavras aí traduzidas como efeminados e sodomitas. Tais palavras no original grego são, respectivamente: malakoi e arsenokoitai. Há dezenas de traduções para ambas as palavras, o que prova a incerteza dos eruditos sobre o que elas realmente significam no texto paulino. Palavras e termos como devassos, travestis, catamitos, prostitutos masculinos, sodomitas, afeminados, pederastas e pedófilos, dentre vários outros, já foram utilizados para traduzir malakoi e arsenokoitai.
Malakos (plural malakoi) aparece em outros textos bíblicos e significa, literalmente, macio, suave ao toque, mole. No texto de Paulo adquiriu um significado metafórico, figurado. Os dicionários teológicos associam malakos a um homem afeminado, mas também reconhecem que o termo pode significar pessoas em geral dadas aos prazeres da carne. Tal tradução é bem mais coerente pois todos os outros pecados citados ali se referem a pessoas em geral, tanto homens quanto mulheres. Algumas traduções como A Bíblia de Jerusalém (em português), La Bible du Semeur (em francês) e a Contemporary English Version (em inglês) já apresentam essa idéia. Há estudos que relacionam malakoi com a prostituição masculina praticada na época de Paulo, principalmente em Corinto, cidade famosa por sua depravação sexual. Algumas traduções como a Todays New International Version (2001), a New International Readers Version (1996) e a New Century Version (1984) apresentam essa idéia. Embora não completamente precisas, essas traduções já representam um avanço ao dissociar os pecados dos malakos da homossexualidade moderna.
Apenas o  vocábulo arsenokoitai se refere exclusivamente a homens, pois em sua composição temos arseno que significa literalmente homem. Koitai significa leito, cama, numa conotação sexual. Portanto, arsenokoitai, significa o homem que mantém relações com outro homem ou, mais precisamente, o homem que penetra outro homem. Na época de Paulo, era comum a prática da exploração sexual, principalmente na relação senhor/escravo. Em Timóteo, Paulo menciona, juntamente com arsenokoitai, os traficantes de jovens escravos, o que reforça tal interpretação. Algumas traduções, valendo-se desse fato sócio-histórico, traduziram arsenokoitai como pederastas (Bíblia Viva  1995) e pedófilos (Bíblia dos Capuchinhos  2002). Tais traduções, ainda que não completamente exatas, são coerentes com o contexto social do século I, pois revelam um caráter abusivo em tais relações.  Essa era a visão judaica do comportamento sexual romano: a violência, o abuso e a prostituição. Paulo, por ser judeu, cultivava tais conceitos.
Talvez nunca saibamos o que tais palavras significam, porém, é evidente que não se referem às relações homoafetivas e monogâmicas da atualidade. O que Paulo condena em tais textos é o sexo abusivo, cometido por solteiros (fornicação) fora do casamento (adultério) e o abuso entre homens. Outro ponto a ser considerado é o seguinte: se tal texto condena a homoafetividade, por que não menciona as mulheres? Que o respondam os cristãos homófobos.
(Estudo completo no Livro Bíblia e homossexualidade: verdade e mitos)
Coríntios e Timóteo: Prostituição masculina, devassidão e sexo abusivo entre homens
1 Coríntios 6.9
9Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas,
10nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus.
1 Timóteo 1.10:
9tendo em vista que não se promulga lei para quem é justo, mas para transgressores e rebeldes, irreverentes e pecadores, ímpios e profanos, parricidas e matricidas, homicidas,
10impuros, sodomitas, raptores de homens, mentirosos, perjuros e para tudo quanto se opõe à sã doutrina.
A grande chave para se rejeitar esse texto como referência à homossexualidade é a dificuldade em saber com certeza o significado das palavras aí traduzidas como efeminados e sodomitas. Tais palavras no original grego são, respectivamente: malakoi e arsenokoitai. Há dezenas de traduções para ambas as palavras, o que prova a incerteza dos eruditos sobre o que elas realmente significam no texto paulino. Palavras e termos como devassos, travestis, catamitos, prostitutos masculinos, sodomitas, afeminados, pederastas e pedófilos, dentre vários outros, já foram utilizados para traduzir malakoi e arsenokoitai.
Malakos (plural malakoi) aparece em outros textos bíblicos e significa, literalmente, macio, suave ao toque, mole. No texto de Paulo adquiriu um significado metafórico, figurado. Os dicionários teológicos associam malakos a um homem afeminado, mas também reconhecem que o termo pode significar pessoas em geral dadas aos prazeres da carne. Tal tradução é bem mais coerente pois todos os outros pecados citados ali se referem a pessoas em geral, tanto homens quanto mulheres. Algumas traduções como A Bíblia de Jerusalém (em português), La Bible du Semeur (em francês) e a Contemporary English Version (em inglês) já apresentam essa idéia. Há estudos que relacionam malakoi com a prostituição masculina praticada na época de Paulo, principalmente em Corinto, cidade famosa por sua depravação sexual. Algumas traduções como a Todays New International Version (2001), a New International Readers Version (1996) e a New Century Version (1984) apresentam essa idéia. Embora não completamente precisas, essas traduções já representam um avanço ao dissociar os pecados dos malakos da homossexualidade moderna.
Apenas o  vocábulo arsenokoitai se refere exclusivamente a homens, pois em sua composição temos arseno que significa literalmente homem. Koitai significa leito, cama, numa conotação sexual. Portanto, arsenokoitai, significa o homem que mantém relações com outro homem ou, mais precisamente, o homem que penetra outro homem. Na época de Paulo, era comum a prática da exploração sexual, principalmente na relação senhor/escravo. Em Timóteo, Paulo menciona, juntamente com arsenokoitai, os traficantes de jovens escravos, o que reforça tal interpretação. Algumas traduções, valendo-se desse fato sócio-histórico, traduziram arsenokoitai como pederastas (Bíblia Viva  1995) e pedófilos (Bíblia dos Capuchinhos  2002). Tais traduções, ainda que não completamente exatas, são coerentes com o contexto social do século I, pois revelam um caráter abusivo em tais relações.  Essa era a visão judaica do comportamento sexual romano: a violência, o abuso e a prostituição. Paulo, por ser judeu, cultivava tais conceitos.
Talvez nunca saibamos o que tais palavras significam, porém, é evidente que não se referem às relações homoafetivas e monogâmicas da atualidade. O que Paulo condena em tais textos é o sexo abusivo, cometido por solteiros (fornicação) fora do casamento (adultério) e o abuso entre homens. Outro ponto a ser considerado é o seguinte: se tal texto condena a homoafetividade, por que não menciona as mulheres? Que o respondam os cristãos homófobos.
(Estudo completo no Livro Bíblia e homossexualidade: verdade e mitos)
Material gentilmente cedido pelo Pr. Alexandre Feitosa, da Comunidade Cristã Inclusiva Apascentar, de Brasília,  autor do livro Bíblia e homossexualidade: verdade e mitos
Fonte: (http://www.incluiremcristo.com.br/teologia-inclusiva)


Homoafetividade à luz da Teologia Inclusiva

Em meio ao surgimento de tantas formulações teológicas, encontramos a Teologia Inclusiva que se contrapõe aos movimentos cristão-tradicionais no que concerne a aceitação de homoafetivos, travestis e transexuais, que foram colocados à margem da prática religiosa por sua orientação sexual.
A teologia cristã tradicional tem contribuído em muito para que muitas pessoas vivam escondidas, amedrontadas, usando mascaras – uma para o trabalho, uma para a família, uma para a sociedade, uma para a igreja, etc.
Com interpretações desprovidas da graça de Deus, textos bíblicos são usados como instrumentos de condenação. Cerca de 15 textos são usados. São eles:

> Gênesis 1:27-28 e 2:18-25 à Dois textos sobre a criação do homem e da mulher;
> Gênesis 19 à A história de Sodoma e Gomorra;
> Levítico 18:22 e 20:23 à Código da Santidade referentes à moralidade sexual;
> Deuteronômio 23:17 à Proibição quanto a se tornar prostitutos do templo;
> 1Reis 14:24; 15:12; 22:47; 2Reis 23:7 à Relatos sobre a instalação e abolição da prostituição no templo em diversas épocas durante o período da monarquia;
> Romanos 1:18-32 à Ira de Deus contra “impiedade e maldade” da humanidade;
> 1 Coríntios 6:9-11 à “Malfeitores não herdarão o Reino de Deus”;
> Efésios 5:33 à Matrimônio ideal;
> Judas 7 à Referência a Sodoma e Gomorra.

Em uma rápida analise encontramos em Gênesis 1 e 2 o relato sobre a criação; em ambos os textos a relação original entre Adão e Eva é apresentada. É importante notar que não existiam outros seres humanos naquela época e que nos dois textos o objetivo principal é ressaltar a necessidade de multiplicação e companheirismo, respectivamente. Para tanto, a adjuntora deveria ser correspondente no sentido afetivo e sexual para que o propósito de Deus de multiplicação acontecesse – Eva foi a pessoa certa para aquele momento, porém não se pode usar um texto como esse para de forma geral dizermos que o único relacionamento segundo a vontade de Deus é a união de um homem e de uma mulher. Primeiro porque a vontade de Deus dependia daquele formato. Segundo, não há nenhum relato exaustivo dos textos contra a homoafetividade, pelo contrário o texto pode ser usado como modelo para os casais heterossexuais.
O relato de Gênesis 19 sobre Sodoma e Gomorra tem o seu foco em uma questão social e cultural da época, em que os estrangeiros não eram bem vindos. A hospitalidade é apresentada de duas maneiras:
1. Quem recebia deveria garantir alimento e segurança;
2. Quem não recebia deveria protestar contra a presença de um estranho, principalmente se o estranho fosse do sexo masculino. Normalmente, os homens estrangeiros eram punidos tendo seus corpos usados como se fossem mulheres. No verso de número 9 fica evidente o protesto contra os forasteiros.
A hospitalidade era tema tão sério que o texto de Josué 6 traz o relato da prostituta Raabe que foi salva da invasão dos israelitas por ter acolhido os espiões de Josué.
Em Juízes 19 encontramos uma reflexão sobre hospitalidade. O texto remonta à época de anarquia que prevalecia em Israel em um período anterior a instituição da
monarquia centralizada. Um viajante é acolhido e alimentado por um velho que o vê na praça da cidade de Gibeá sem ter onde passar a noite. Alguns moradores, corruptos, se revoltam contra atitude do velho e propõem humilhar o viajante.
Nenhum dos três textos relata relações homoafetivas, mas sim ato sexual como punição para os invasores – o sexo é usado como meio de punição para os estrangeiros, o homem passava a ser tratado como mulher – ato de humilhação pública. Logo, não há fundamento para dizer que tais textos podem ser usados para condenar relacionamentos fundamentados em amor, fidelidade e respeito entre pessoas do mesmo sexo.
Os textos de Deuteronômio e dos livros de Reis estão se referindo a toda prostituição no Templo, como acontecia na religião cananéia. Tais condenações e proibições, seja prostituição heterossexual, seja homossexual, não significam nada no que concerne a relações de longo prazo dentro de um contexto de fidelidade e amor.
O livro de Levíticos traz em sua temática o comportamento dos israelitas enquanto povo de Deus que deveria distinguir-se das outras nações da época por meio de uma vida voltada para o único e verdadeiro Deus. Os relacionamentos homossexuais eram proibidos entre homens. Isso por três motivos: a procriação necessária para uma nação se fortalecer ante as outras nações, pelo fato de os Judeus acreditarem que o homem era detentor da semente de uma nova vida e, porque os povos idólatras praticavam o sexo homo em seus cultos pagãos e para humilhar homens – “deitavam com um homem como se ele fosse mulher.” Aqui temos uma questão cultural quanto ao valor da mulher na sociedade antiga.
No Novo Testamento não encontramos no ministério de Jesus nenhum ensino pelo qual podemos nos fundamentar para dizer que a homossexualidade, da maneira como já foi mencionado acima – dentro de um contexto de fidelidade, amor e respeito é
uma abominação para Deus. A Teologia Inclusiva se recusa a aceitar que Jesus deixaria um assunto de tamanha relevância, capaz de condenar o homem a morte eterna, sem ser mencionado em suas pregações. No entanto, não foram poucas as vezes em que Jesus ensinou sobre o perigo de ser um fariseu, hipócrita, ladrão, acusador, caluniador, autólatra, santarrão, infrutífero, geradores de filhos do inferno, vazios, injustos, legalista, judicialista, etc.
Encontramos no livro de Romanos o apostolo Paulo fazendo referência à prática homossexual em detrimento a heterossexualidade, ou seja, pessoas que são heterossexuais e optam em abandonar a heterossexualidade para serem homossexuais. Logo, é inconcebível que tal texto seja usado para condenar pessoas que nasceram homossexuais, ou transexuais. O texto diz:
“(...)porque até as mulheres mudaram o uso natural de suas relações íntimas por outro, contrário a natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contacto natural da mulher, se inflamaram mutuamente em suas sensualidade (...)”. Romanos 1:26-27
Paulo ainda escreve para a igreja de Corinto em uma época específica, quando aquela cidade era notória por seus vícios de todos os tipos – o templo de Afrodite ali era servido por mil prostitutas. Na igreja houve até mesmo um caso de um filho que tinha relações com a madrasta (considera-se madrasta pelo fato de o apostolo Paulo se referir a ela como sendo mulher de seu pai e não como mãe do rapaz). E, justamente no capítulo seguinte o apostolo fala sobre a condenação que está preparada os injustos – impuros, idólatras, adúlteros, efeminados que é uma palavra de difícil tradução, podendo ser uma referência ao termo mole, masturbador e mulherengo; como no capítulo 5 temos o relato de um rapaz que era totalmente mulherengo, não poupando
nem mesmo a mulher do pai, a Teologia Inclusiva se vale do método de contextualização, sendo contexto imediato os textos próximos e contexto amplo uma visão geral do livro, assim ao que tudo indica a uma ligação lógica nas exortações dos capítulos anteriores com o capítulo 6.
A definição dos papéis e orientação sexual; são os dois eixos que fundamentam a identidade sexual de um indivíduo. A partir desses pontos a Teologia Inclusiva se mostra graciosa em considerar o conteúdo dos relacionamentos mais importantes e determinantes para a felicidade do ser humano do que o padrão tradicional de relacionamentos e constituição familiar.
Enquanto os padrões preconizados pelas instituições religiosas tradicionais primam pela perpetuação dos costumes antigos, a Teologia Inclusiva se firma na multiforme graça de Deus para todos os tempos que opera de maneira diferente de acordo com a vontade de Deus para todos os homens. Isso baseada na palavra escrita e falada da parte de Deus, na graça em função de todos os homens e no querer de Deus acima de todas as coisas.

Fonte: http://www.comunidadeathos.com/#!homoafetividade-a-luz-da-teolo/c5h1
Acesso em 24/05/2015 às 17h44