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sábado, 13 de fevereiro de 2016

Carta Capital publica entrevista feita ao Pastor Gondim

O pastor herege (Título original)

Veja  no final desta entrevista vídeo com réplica do pastor.
“Deus nos livre de um Brasil evangélico”, diz o religioso Ricardo Gondim, crítico dos movimentos neopentecostais. Por Gerson Freitas






O pastor herege
“Deus nos livre de um Brasil evangélico”, diz o religioso Ricardo Gondim, crítico dos movimentos neopentecostais. Por Gerson Freitas Jr. Foto: Olga Vlahou
"Deus nos livre de um Brasil evangélico.” Quem afirma é um pastor, o cearense Ricardo Gondim. Segundo ele, o movimento neopentecostal se expande com um projeto de poder e imposição de valores, mas em seu crescimento estão as raízes da própria decadência. Os evangélicos, diz Gondim, absorvem cada vez mais elementos do perfil religioso típico dos brasileiros, embora tendam a recrudescer em questões como o aborto e os direitos homossexuais. Aos 57 anos, pastor há 34, Gondim é líder da Igreja Betesda e mestre em teologia pela Universidade Metodista. E tornou-se um dos mais populares críticos do mainstream evangélico, o que o transformou em alvo. “Sou o herege da vez”,  diz na entrevista a seguir.
Carta CapitalOs evangélicos tiveram papel importante nas últimas eleições. O Brasil está se tornando um país mais influenciável pelo discurso desse movimento?
Ricardo Gondim: Sim, mesmo porque, é notório o crescimento do número de evangélicos. Mas é importante fazer uma ponderação qualitativa. Quanto mais cresce, mais o movimento evangélico também se deixa influenciar. O rigor doutrinário e os valores típicos dos pequenos grupos se dispersam, e os evangélicos ficam mais próximos do perfil religioso típico do brasileiro.
CC: Como o senhor define esse perfil?
RG: Extremamente eclético e ecumênico. Pela primeira vez, temos evangélicos que pertencem também a comunidades católicas ou espíritas. Já se fala em um “evangelicalismo popular”, nos moldes do catolicismo popular, e em evangélicos não praticantes, o que não existia até pouco tempo atrás. O movimento cresce, mas perde força. E por isso tem de eleger alguns temas que lhe assegurem uma identidade. Nos Estados Unidos, a igreja se apega a três assuntos: aborto, homossexualidade e a influência islâmica no mundo. No Brasil, não é diferente. Existe um conservadorismo extremo nessas áreas, mas um relaxamento em outras. Há aberrações éticas enormes.
CC: O senhor escreveu um artigo intitulado “Deus nos Livre de um Brasil Evangélico”. Por que um pastor evangélico afirma isso?
RG: Porque esse projeto impõe não só a espiritualidade, mas toda a cultura, estética e cosmovisão do mundo evangélico, o que não é de nenhum modo desejável. Seria a talebanização do Brasil. Precisamos da diversidade cultural e religiosa. O movimento evangélico se expande com a proposta de ser a maioria, para poder cada vez mais definir o rumo das eleições e, quem sabe, escolher o presidente da República. Isso fica muito claro no projeto da Igreja Universal. O objetivo de ter o pastor no Congresso, nas instâncias de poder, é o de facilitar a expansão da igreja. E, nesse sentido, o movimento é maquiavélico. Se é para salvar o Brasil da perdição, os fins justificam os meios.
CC: O movimento americano é a grande inspiração para os evangélicos no Brasil?
RG: O movimento brasileiro é filho direto do fundamentalismo norte-americano. Os Estados Unidos exportam seu american way oflife de várias maneiras, e a igreja evangélica é uma das principais. As lideranças daqui leem basicamente os autores norte-americanos e neles buscam toda a sua espiritualidade, teologia e normatização comportamental. A igreja americana é pragmática, gerencial, o que é muito próprio daquela cultura. Funciona como uma agência prestadora de serviços religiosos, de cura, libertação, prosperidade financeira. Em um país como o Brasil, onde quase todos nascem católicos, a igreja evangélica precisa ser extremamente ágil, pragmática e oferecer resultados para se impor. É uma lógica individualista e antiética. Um ensino muito comum nas igrejas é a de que Deus abre portas de emprego para os fiéis. Eu ensino minha comunidade a se desvincular dessa linguagem. Nós nos revoltamos quando ouvimos que algum político abriu uma porta para o apadrinhado. Por que seria diferente com Deus?
CC: O senhor afirma que a igreja evangélica brasileira está em decadência, mas o movimento continua a crescer.
RG: Uma igreja que, para se sustentar, precisa de campanhas cada vez mais mirabolantes, um discurso cada vez mais histriônico e promessas cada vez mais absurdas está em decadência. Se para ter a sua adesão eu preciso apelar a valores cada vez mais primitivos e sensoriais e produzir o medo do mundo mágico, transcendental, então a minha mensagem está fragilizada.
CC: Pode-se dizer o mesmo do movimento norte-americano?
RG: Muitos dizem que sim, apesar dos números. Há um entusiasmo crescente dos mesmos, mas uma rejeição cada vez maior dos que estão de fora. Hoje, nos Estados Unidos, uma pessoa que não tenha sido criada no meio e que tenha um mínimo de senso crítico nunca vai se aproximar dessa igreja, associada ao Bush, à intolerância em todos os sentidos, ao Tea Party, à guerra.
CC: O senhor é a favor da união civil entre homossexuais?
RG: Sou a favor. O Brasil é um país laico. Minhas convicções de fé não podem influenciar, tampouco atropelar o direito de outros. Temos de respeitar as necessidades e aspirações que surgem a partir de outra realidade social. A comunidade gay aspira por relacionamentos juridicamente estáveis. A nação tem de considerar essa demanda. E a igreja deve entender que nem todas as relações homossensuais são promíscuas. Tenho minhas posições contra a promiscuidade, que considero ruim para as relações humanas, mas isso não tem uma relação estreita com a homossexualidade ou heterossexualidade.
CC: O senhor enfrenta muita oposição de seus pares?
RG:  Muita! Fui eleito o herege da vez. Entre outras coisas, porque advogo a tese de que a teologia de um Deus títere, controlador da história, não cabe mais. Pode ter cabido na era medieval, mas não hoje. O Deus em que creio não controla, mas ama. É incompatível a existência de um Deus controlador com a liberdade humana. Se Deus é bom e onipotente, e coisas ruins acontecem, então há algo errado com esse pressuposto. Minha resposta é que Deus não está no controle. A favela, o córrego poluído, a tragédia, a guerra, não têm nada a ver com Deus. Concordo muito com Simone Weil, uma judia convertida ao catolicismo durante a Segunda Guerra Mundial, quando diz que o mundo só é possível pela ausência de Deus. Vivemos como se Deus não existisse, porque só assim nos tornamos cidadãos responsáveis, nos humanizamos, lutamos pela vida, pelo bem. A visão de Deus como um pai todo-poderoso, que vai me proteger, poupar, socorrer e abrir portas é infantilizadora da vida.
CC: Mas os movimentos cristãos foram sempre na direção oposta.
RG: Não necessariamente. Para alguns autores, a decadência do protestantismo na Europa não é, verdadeiramente, uma decadência, mas o cumprimento de seus objetivos: igrejas vazias e cidadãos cada vez mais cidadãos, mais preocupados com a questão dos direitos humanos, do bom trato da vida e do meio ambiente.por Gerson Freitas Jr — publicado 27/04/2011 08h48, última modificação 28/04/2011 10h51

Assista agora o vídeo com replica do pastor após publicação da entrevista:

Filha, eu sou gay!



Jovens contam como lidaram com a descoberta de que o pai ou a mãe é homossexual

Bruna (à esq.) e a mãe, Alexandra, o Xande: família bem resolvida

FOTO: JULIA MORAES / AG. ISTO�Gabriel tinha 15 anos quando o pai, que se divorciara da mãe alguns anos antes, o convidou para comer pizza, um programinha trivial que, no entanto, marcaria de forma especial a vida do adolescente. Gabriel idolatrava o pai. Considerava-o seu melhor amigo, um exemplo a ser seguido. Por isso, soou como uma pancada a frase curta e definitiva dita por Oswaldo Braga, 51 anos, enquanto ambos estavam à mesa. "Eu sou gay", falou o consultor técnico do Ministério da Saúde. "Na hora fiquei engasgado. Não sabia o que falar, tamanho o meu espanto com a revelação", lembra Gabriel. O garoto praticamente rompeu os laços afetivos com o pai e só os restaurou quase dez anos depois. Mas, hoje, se diz feliz por ter conseguido superar o preconceito. "Se os gays são minoria, eu sou a minoria da minoria, porque sou filho de pai gay", diz Gabriel, 24 anos. Ele disse que se orgulha de ter aprendido com o pai que o melhor mesmo é viver uma vida verdadeira. "Não é uma situação fácil de ser enfrentada", admite Braga "Mas é necessária."

Há uma grande distância entre saber e aceitar. A psicóloga paulista Vera Lúcia Moris, que coordena dois grupos de 30 pais gays, lembra que a adolescência é um período marcado por crises, inclusive com relação à sexualidade. "E o jovem pode ter problemas para aceitar, compreender ou lidar com a revelação da homossexualidade do pai", alerta. Mas é possível minimizar muito o impacto da revelação. O trauma é menor quando a criança cresce sabendo da orientação sexual do pai ou da mãe. Este é o caso da estudante paulistana Bruna Peixe dos Santos, 18 anos, que começou a tomar consciência, gradativamente, da homossexualidade da mãe a partir dos 4 anos. A frase "Filha, eu sou gay" foi sendo assimilada aos poucos e, hoje, Bruna assegura que não vê problema nenhum no fato de a mãe, Alexandra, ter mudado o nome para Alexandre Santos - o Xande que preside a Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo. Mas a tranquilidade com que Bruna lida com o tema não reflete os aborrecimentos e decepções que já enfrentou. "Tive um namorado que terminou comigo quando lhe contei. E tive amigos e pais de amigos que se afastaram por causa do preconceito", conta ela. "Em compensação, tenho muitos outros amigos que dizem que queriam ter um pai como o meu", arremata Bruna, que chama Xande de "pãe".

A homofobia é causa da rejeição de muitos filhos. Temendo serem vítimas de preconceito e chacotas, eles optam pelo afastamento do pai ou da mãe homossexual. "A gente morava no interior. Todo mundo sabia que meu pai era gay. Os colegas zombavam da gente, nos humilhavam", conta a atriz paulista Gabriela (que pede para não revelar o sobrenome), 29 anos, grávida de seis meses. Ela tinha 18 quando o pai revelou que estava namorando um rapaz, e pediu apenas compreensão. "Foi um choque. Incomodou muito. Cheguei a me envolver com uma mulher só para afrontar meu pai", recorda a atriz, que levou cinco anos para voltar a ter um bom relacionamento com o pai. "Li muito. Isso me ajudou a entender melhor a situação toda. Amo meu pai e tenho muito orgulho dele."

O universo de casais gays será dimensionado a partir desse ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que fará uma pesquisa para saber quantos casais homossexuais residem nos 58 milhões de domicílios brasileiros. Certamente, o resultado dará uma ideia do quadro, mas não um número exato porque muitos preferem esconder a opção. Até nove anos atrás, se participasse da enquete do IBGE, o advogado carioca Marcelo (que não quer seu sobrenome divulgado) teria mentido, inclusive porque ainda estava casado. Ele "saiu do armário" - termo popular para dizer que uma pessoa se assumiu gay - ao ser pressionado pela ex-mulher. "Ela perguntou e eu confirmei", diz. Marcelo saiu de casa quando o filho tinha 3 anos e resolveu que era hora de revelar o fato para o menino aos 10. "Falei para ele, sem rodeios: 'Papai é gay.'" A reação do garoto surpreendeu: "Pai, tô cansado de saber. Não falei antes porque fiquei constrangido. Não tem o menor problema." Mas sua ex-mulher, ao contrário, reagiu mal e passou a proibir os encontros dos dois, alegando que ele poderia ser má influência. Sem ver o filho há dois anos, porque o menino se recusa a encontrá-lo, Marcelo luta contra uma depressão profunda e tenta, na Justiça, recuperar seus direitos.

A batalha é longa. Há juízes que acreditam que a relação entre pais gays e seus filhos pode comprometer o desenvolvimento sadio da criança ou do adolescente. Não é raro o juiz sugerir que as visitas dos pais homossexuais sejam realizadas sem a presença do companheiro gay. A desembargadora gaúcha aposentada Maria Berenice Dias, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito da Família, discorda. "Não afeta o desenvolvimento nem leva o filho a ser homossexual também. Afinal, o homo é filho do hetero", diz. Para a escritora Edith Modesto, 71 anos, fundadora do Grupo de Pais de Homossexuais (GPH), a revelação tende a ser mais bem digerida quando o filho tem até 4 anos de idade. "Porque o preconceito ainda não está arraigado, principalmente em relação às pessoas que elas amam." Mas, lembra ela, o fato de o filho aceitar a homossexualidade dos pais não implica, necessariamente, aprovação. O estudante Alan Rudolf, 17 anos, que mora com a mãe, a mecânica de avião Adriana Piske, 36 anos, e com a companheira dela, Kelly Vasconcelos, em Curitiba, Paraná, é bem sincero quanto a isso: "Não concordo, mas respeito", diz Alan, que soube da homossexualidade da mãe quando tinha 6 anos. "Para mim não era normal, mas acabei aceitando."




Homossexualidade é catalogada em animais


Fêmeas de macaco-japonês

Cientistas notaram que fêmeas do macaco-japonês buscam prazer com outras fêmeas

Durante a temporada de acasalamento de inverno, a competição por uma fêmea de macaco-japonês é acirrada. Os machos não têm de disputar apenas com outros machos, mas também com outras fêmeas.

Entre esses animais, objetos de estudo do psicólogo Paul Vasey, da Universidade de Lethbridge, no Canadá, uma fêmea sobe na outra e estimula seus genitais esfregando-os na parceira. As duas se olham nos olhos durante a relação e tendem a permanecer semanas juntas, inclusive para dormir e se defender de possíveis rivais.
Já se sabe que o comportamento homossexual é bastante comum no reino animal, envolvendo de insetos a mamíferos. Mas será que é possível chamar esses bichos de homossexuais?
O primeiro livro que trouxe o assunto para o centro das discussões foi Biological Exuberance, de Bruce Bagemihl, publicado em 1999. O texto citava inúmeros exemplos de relações homossexuais em uma grande variedade de espécies, que logo viraram objeto de estudo sistemático por parte dos cientistas.
Evolução

Besouros-castanhos

Image captionBesouros machos depositam esperma em outros e acabam por fertilizar mais fêmeas

Segundo Vasey, apesar de centenas de espécies terem sido observadas em relações sexuais com parceiros do mesmo sexo em ocasiões isoladas, poucas delas fazem disso uma parte rotineira de suas vidas.
No caso dos macacos-japoneses, Vasey e sua equipe observaram que mesmo participando de relações sexuais com outras fêmeas, elas continuavam interessadas nos machos. Entre esses animais, as fêmeas frequentemente montam no macho, aparentemente para incentivá-los a acasalar.
Em alguns casos, existem razões evolucionárias para explicar o comportamento homossexual dos animais.
Por exemplo: em seus primeiros 30 minutos de vida, machos das moscas-das-frutas tentam copular com qualquer outra mosca, macho ou fêmea. Só depois eles aprendem a reconhecer o odor das fêmeas virgens e se concentram nelas.
Essa abordagem de tentativa e erro pode parecer ineficaz. Mas para o biólogo David Featherstone, da Universidade de Illinois, trata-se de uma boa estratégia. Na natureza, moscas de diferentes habitats podem apresentar misturas de feromônios ligeiramente diferentes.
"Um macho poderia perder a oportunidade de ter filhotes viáveis se fossem programados para reconhecer apenas um tipo de odor", afirma.
Os besouros-castanhos machos usam um truque diferente. Eles copulam entre si e até depositam esperma no parceiro. Se o macho que estiver carregando esse esperma acasalar depois com uma fêmea, esse esperma poderá ser transferido – assim, o macho que produziu o esperma fertiliza uma fêmea sem ter que cortejá-la.
Em ambos os casos, os machos estão usando um comportamento homossexual como uma maneira de fertilizar mais fêmeas.
Por isso, fica claro por que esses comportamentos podem ter sido favorecidos durante a evolução das espécies. Mas também se nota que essas duas espécies estão longe de serem estritamente homossexuais.

'Homo' ou 'bi'?



Image captionEntre aves, algumas fêmeas se unem a outras para cuidar de seus filhotes

Outros animais, no entanto, realmente parecem ser totalmente gays. Um deles é o albatroz-de-laysan, que vive no arquipélago americano do Havaí.
Entre esses enormes pássaros, os casais normalmente permanecem 'casados' por toda a vida e participam ativamente dos cuidados com os filhotes.
Mas em uma população da ilha de Oahu, 31% dos casais são formados por duas fêmeas sem parentesco entre si. E mais: elas cuidam de filhotes cujos pais são machos que já estão em um 'casamento estável' com outra fêmea, mas 'pulam a cerca' para acasalar com uma ou ambas as fêmeas do casal de mesmo sexo.
Segundo a bióloga Marlene Zuk, da Universidade de Minnesota, se as fêmeas de albatrozes não criassem seus filhotes com outra fêmea, teriam mais dificuldades para chocar seus ovos e buscar comida.
Mas, novamente, não se trata de animais inerentemente homossexuais. Estudos dessa e de outas espécies de pássaros sugerem que a união homossexual ocorre como uma resposta à falta de machos e é mais rara quando uma população tem uma proporção mais equilibrada entre os dois sexos.
Bonobos

age captionBonobos podem usar o sexo para ganhar influência em um grupo

E se olharmos para nossos parentes mais próximos, os primatas hominoides? Os bonobos, por exemplo, são uma espécie de chimpanzé extremamente ativa sexualmente. Tanto machos quanto fêmeas apresentam comportamentos homossexuais.
Mas o sexo entre esses animais também tem a função de consolidar as relações sociais. Bonobos podem usar o sexo para se aproximar de membros dominantes do grupo e assim ganhar mais status. Até mesmo os mais jovens costumam confortar outros com abraços e atos sexuais.
Algumas espécies de golfinhos também apresentam comportamentos homossexuais que os ajudam dentro do grupo. Mas, no fim, todos acasalam com membros do outro sexo para se reproduzirem.
Todas essas espécies seriam melhor descritas como 'bissexuais', pois transitam facilmente entre os dois comportamentos e não mostram uma orientação sexual consistente.

Homossexuais 'puros'


Carneiros e ovelhas

Image captionSegundo cientistas, 8% dos carneiros domesticados permanecem com sua opção pelo mesmo sexo

Apenas duas espécies reconhecidamente exibem preferência pelo mesmo sexo pelo resto da vida, mesmo quando há parceiros suficientes do outro sexo. Uma delas, claro, é a espécie humana. A outra é o carneiro domesticado.
Em rebanhos ovinos, até 8% dos machos preferem outros machos mesmo quando há fêmeas férteis no grupo.
Em 1994, neurocientistas descobriram que esses machos tinham o cérebro ligeiramente diferente do resto, com um hipotálamo menor – a parte que controla a liberação de hormônios sexuais.
Isso endossaria o polêmico estudo do neurocientista Simon LeVay, que em 1991 descreveu uma diferença entre a estrutura cerebral de homens gays e heterossexuais.
Mas LeVay acredita que carneiros selvagens não apresentam o mesmo comportamento. Segundo ele, o animal domesticado foi aos poucos sendo 'manipulado' por criadores para produzir fêmeas que se reproduzem o mais frequentemente possível, o que pode ter permitido o aumento do número de machos homossexuais.
Por isso, tanto LeVay quanto Vasey afirmam que os humanos são o único caso documentado de 'verdadeira' homossexualidade entre animais selvagens.
Talvez nunca encontremos um animal selvagem que seja estritamente homossexual como muitos humanos. Mas podemos estar certos de que vamos descobrir cada vez mais animais que não se encaixam nas categorias tradicionais de orientação sexual.
Eles usam o sexo para satisfazer todo tipo de necessidade, do simples prazer à afirmação social. E isso exige flexibilidade.
Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/02/150211_vert_earth_animais_homossexuais_ml