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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Filha de Johnny Depp desmente homossexualidade


Lily-Rose Depp, de 16 anos, veio agora a público desmentir a sua homossexualidade.
"Foi tudo um grande mal-entendido“, declarou a modelo. Durante uma entrevista Lily-Rose esclareceu: “O que eu disse foi muito mal interpretado. Muitas pessoas entenderam erradamente que eu estava ‘a sair do armário’, mas não era isso que eu estava fazer. Eu estava a tentar dizer que a sexualidade não tem de ser rotulada."
Fonte: http://www.impala.pt/detail.aspx?id=217931&idCat=2060

Confissões de um adolescente gay em uma igreja evangélica


Eu tinha treze anos. Faria catorze em três meses. Era fã de Spice Girls, dançava axé com minhas primas e preferia fazer amigas que amigos na escola. Foi nesta época que eu me mudei da capital paulistana para o interior. Lá, minha mãe fez uma amiga evangélica que, com a melhor das intenções, me apresentou os seus dois filhos da mesma idade que eu. Nos tornamos amigos pelo interesse comum em música. Eles me convidaram para visitar sua igreja, eu aceitei e foi assim que começou minha experiência de ser um adolescente gay em uma igreja evangélica.

As lembranças não são muito claras, mas eu sempre soube que eu não poderia ser gay. Eu sempre soube que havia ideais para mim, ideais maiores do que os que eu intuitivamente poderia descobrir. A vontade de Deus era que eu me casasse e constituísse família ou, se não aceitasse esta opção, a outra possibilidade seria o celibato.

Na verdade, isso nunca foi me dito diretamente. Nenhum pastor nunca me procurou para me dizer que eu não poderia ser gay. Funcionava de outra forma.

Os pastores pregavam no culto como era errado ser gay. Eles diziam, uma vez a cada mês pelo menos, que a vontade de Deus era que o homem se casasse com a mulher. E tinha que casar. Casar pra ter sexo, inclusive. Sexo, somente heterossexual e somente no casamento. Esta mensagem era sempre repetida. E eu estava lá para ouvir. Não era direcionada a mim, era para todos os jovens. As palavras do pastor ganhavam força e autoridade quando ele usava aqueles batidos versículos que condenam as práticas homossexuais.

A condenação das práticas homossexuais merecem um comentário à parte. É interessante como eu sempre entendi, pelo que eles pregavam, que o pecado maior estava na ação. Eu não sei se cheguei a ouvir desta forma, mas o raciocínio que se formava na minha cabeça era algo do tipo "se uma pessoa sentir atração e resistir, essa pessoa é ainda mais abençoada do que se não sentir atração"; pois "o pecado é se deitar com outro homem". Fico pensando se os pastores não planejam intencionalmente que as pessoas cheguem a este tipo de raciocínio quando pregam separadamente que resistir à tentação é um valor e que agir como gay é pecado.

Aliás, comigo o problema não era eu ser gay ou não. Comigo o problema era falar, vestir ou me comportar igual a um gay. Uma vez eu deixei meu cabelo ficar cacheado. Outra vez eu alisei e deixei a franja bem grande e fiz um undercut discreto. Outra vez eu comprei uma camiseta baby look. Outra vez eu tirei uma música da Kely Clarkson (Because of you) no piano. Nenhuma dessas minhas ações passaram despercebidas e fui sempre chamado para uma conversa de disciplina em que os pastores ou obreiros responsáveis me diziam que eu não devo passar esta imagem, pois as pessoas irão pensar que eu sou gay e a igreja irá ser prejudicada por apoiar o pecado. Deus não iria gostar e as pessoas iriam se escandalizar.

O escândalo sempre foi o meu maior inimigo. Eu deveria me equilibrar entre ser eu mesmo e evitar a escandalização. Eu deveria vestir calça social e camisa, ter o cabelo curto, falar grosso e ter uma namorada. E nada de tocar música pop, só música evangélica. No fim das contas eu passei mesmo alguns anos sem ouvir música secular. Eu perdi toda a primeira fase da Britney Spears (só comecei a acompanhar depois de Toxic).

E assim o tempo foi passando e eu fui permitindo que aqueles valores abafassem quem eu era de verdade. Eu tive uma namorada, uma pessoa a quem eu amei pela nossa boa convivência e amizade juntos, mas que hoje eu sei que dei falsas. Espero profundamente que ela me perdoe e que encontre alguém que possa apreciar a sua pessoa e o seu corpo, o que eu jamais poderia fazer com a espontaneidade que ela merece.

Mas a questão é que eu nem sabia o que eu estava fazendo. Hoje eu penso sobre aquela época e vejo como eu estava abafando a minha orientação sexual, mas naquele momento eu só sabia que eu estava cumprindo a vontade de Deus. Eu nem experimentava desejo por outros homens, eu apenas não experimentava o desejo. E eu achava que era assim que se vivia. Se cumpria a vontade de Deus por que era assim que os pastores falavam que deveria ser. Eu não entendia a felicidade.

E o que me mantinha vivendo nessa situação era o amor das pessoas, dos amigos que eu tinha, que realmente me apoiavam e demonstravam estar do meu lado. Eu não sei se eles faziam isso por que genuinamente gostavam da pessoa que eu era ou se estavam me recompensando pelo esforço imenso que eles me viam empenhando para ser um "varão do senhor". Eles também poderiam apenas estar cumprindo as ordens "amarem uns aos outros" sem nem saber quem sou eu. Muitos hoje me dizem que sabiam que eu era gay, mesmo sem terem me dito que perceberam ou acharam isto naquela época. Mas a questão é que hoje eu percebo que vendi a minha orientação sexual por aceitação social de pessoas que talvez não seriam minhas amigas se eu tivesse decidido ser homossexual naquela época. De fato, hoje muitos deles continuam sendo meus amigos e me apoiando. Mas com certeza não são todos.

Bem, eu tinha 25 anos, tinha terminado minha faculdade e começado o mestrado. Meu pensamento sobre a espiritualidade estava sendo influenciado pelas ideias científicas e eu já não vivia mais próximo dos amigos da igreja. Neste cenário eu conheci pessoas que apoiam minhas ideias e deram espaço para minhas dúvidas sobre minha própria essência. "Quem sou eu?", eu perguntava. "Você precisa descobrir", diziam estes novos amigos. Era diferente, por que eles não diziam simplesmente "você deve ser o que Deus quer". Isto foi fundamental. Neste momento eu pude experimentar. Eu pude descobrir.

Hoje tenho 32 anos. Já tive um namorado e um noivo, mas estes relacionamentos não deram certo. Agora estou noivo e muito apaixonado. Moro com o meu amor na cidade de São Paulo. Eu voltei a estudar, faço doutorado depois de dois anos trabalhando como professor universitário. O meu homem é a pessoa mais especial que já conheci nesta vida. Tem um coração imenso e eu admiro muito isto nele. Estamos batalhando juntos para nos formarmos e construirmos nossa vida. Temos planos de casar e ter um filho (queremos um garoto para chamarmos de Ígor [que significa príncipe da paz] - e ele poderá seguir livremente a orientação sexual que descobrir em si).

Eu sou gay, não sou mais evangélico, e estou muito satisfeito com a direção que a minha vida tomou. Sinto muito por outras pessoas que ainda não tem dimensão de como a vida pode ser simples e maravilhosa. Quero dizer para quem estiver em dúvida que ainda há amigos, amor e graça fora das paredes de uma igreja. E mais, quero com este testemunho denunciar as práticas sutis que os evangélicos utilizam para afastar as pessoas de serem quem elas realmente são e limitarem suas possibilidades de serem felizes. Eles usam a linguagem do amor para enganar as pessoas. Mas o amor de verdade implica em apoiar o que há de melhor no outro para o bem deste outro. Hoje eu sei que o amor que eles disseram que me davam me afastou de ser eu mesmo. E eu quero ser amado como eu sou.