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domingo, 24 de maio de 2015

Você já pensou nisso?

 (Foto: Thinkstock)
Neste momento, chega às ruas norte-americanas uma nova classe de cidadãos que não têm onde dormir: a dos adolescentes gays que foram expulsos de casa pelos pais depois de revelar a homossexualidade.
O número estimado de jovens com esse histórico que precisam recorrer a abrigos públicos assusta: mais de 300 mil, de acordo com cálculo feito pelo Center of American Progress. E enquanto muitas outras questões gays chegam ao debate público —como casamento e adoção —, o tema do adolescente abandonado pela família permanence à sombra.
O assunto veio à tona nos Estados Unidos depois que um vídeo viralizou no YouTube; o vídeo mostra Daniel Pierce, um norte-americano de 20 anos, sendo expulso de casa. São minutos de tirar o fôlego: revoltados, os pais abusam verbal e fisicamente de Daniel. É impossível não se comover com as cenas, ainda que tecnicamente a imagem não seja boa.
Todo homossexual que se assume pode dividir a vida entre antes e depois do momento em que diz à família “eu soy gay”. São três palavras curtas, mas imperialmente difíceis de serem pronunciadas pela primeira vez. Não é toda hora que o repórter pode se misturar à matéria e dar um testemunho, mas esse é precisamente o caso. Em 2001, decidi contar à minha mãe que era gay. Os minutos durante os quais tentei dizer essas três palavras foram alguns dos mais longos e sofridos que já experimentei.
Quando a rejeição é a resposta, é como se o mundo lá fora se mostrasse pela primeira vez com toda a sua crueldade. Não é por acaso que adolescentes gays têm um índice de suicídio que está entre os mais altos do mundo e chega a ser oito vezes maior do que o de um adolescente heterossexual.
Lidar com a rejeição já é difícil para uma pessoa madura, mas para um ser humano em formação a tarefa se torna muitas vezes insuportável. No meu caso, anos depois a história teve final feliz, mas com dezenas de milhares de adolescentes não é assim.
Lucina Rodriguez, transsexual de 21 anos, é uma dessas jovens em risco, que se descobriu gay quatro anos atrás e saiu de casa em 2012 para escapar da mãe. Desde então­, ela peregrina pelas ruas. Durante o inverno passado, quando temperaturas chegaram a - 23 °C, ela se refugiou por semanas no metrô de Nova York. Uma noite, foi assaltada e perdeu laptop e certidão de nascimento. “Nessa hora, achei que não ia mais aguentar”, disse à rede de TV NBC. “É ruim, mas me acostumei a viver nas ruas.”
 (Foto: Thinkstock)
REAÇÕES CONTRÁRIAS
Nos Estados Unidos, estudos feitos com adolescentes gays em abrigos indicam que a maioria vem de família muito conservadora e religiosa, dentro das quais é mais difícil entender a homossexualidade como natural e mais fácil enquadrá-la como doença ou desvio de caráter. Cathy Kristofferson, escritora e advogada de direito do adolescente, calcula que quase metade dos adolescentes americanos que conta aos pais que é gay acaba saindo de casa logo depois — ou porque foram expulsos ou porque se sentiram ameaçados.
O jovem Corey, por exemplo, teve de se trancar no banheiro depois de contar aos pais que era gay. Dias antes, quando se preparava para fazer a revelação, ouviu o pai gritar que se houvesse um homossexual dentro daquela casa, ele morreria com um tiro na cabeça. Temendo pela vida, Corey correu para o banheiro, esperou que o pai parasse de tentar arrombar a porta e de madrugada foi embora para nunca mais voltar. Foi acolhido pela família de uma amiga que, um ano depois, o adotou legalmente, mas nem todos têm a mesma sorte.
 (Foto: Thinkstock)
Sabendo do problema, instituições como a norte-americana Raise a Child, especializada na adoção de jovens que estão em abrigos, incentivam especificamente a adoção de adolescentes gays rejeitados pela família. Carl Siciliano, ex-monge beneditino que fundou em Nova York o maior abrigo para adolescentes gays do continente, diz que deixou a Igreja porque começou a questionar suas posições. Ele já trabalhava com sem-tetos nos anos 1990 quando notou um aumento significativo de adolescentes gays nos abrigos. Antes, Siciliano contou à revista The Rolling Stone, eram apenas veteranos de guerra, alcoólatras e pessoas com deficiência mental nas ruas. Não coincidentemente, foi naquele período que a homossexualidade começou a ser tratada com mais naturalidade na TV, com seriados populares como Friends apresentando personagens gays perfeitamente inseridos na sociedade.
Ao enxergar a normatização de sua orientação sexual fica mais fácil para o adolescente se revelar a seu núcleo de afeto. Um tipo parecido de reação aconteceu quando o casamento gay foi aprovado em Nova York: Siciliano conta que notou um aumento de quase 40% do número de jovens gays desabrigados. Se de um lado a homossexualidade começa a ser tratada normalmente, do outro as reações contrárias tendem a ganhar volume.
 (Foto: Thinkstock)
O QUE DIZ A IGREJA
No mais recente Sínodo da Igreja Católica, promulgado em outubro, a “mensagem às famílias do mundo” fracassou ao tentar oficializar as boas-vindas aos gays, como constava do documento original. Depois de votação realizada pelos padres, a frase foi retirada do documento final, que trata de problemas atuais do mundo. No mesmo Sínodo também foi reprovada a comunhão aos divorciados que se casaram outra vez.
Em abril deste ano, Siciliano escreveu uma carta ao Papa Francisco que foi publicada pelo The New York Times. Ele dizia que trabalhava com sem-tetos há 30 anos e lembrava como a falta de uma mensagem de acolhimento por parte da Igreja era capaz de destruir famílias. O centro de apoio fundado por Siciliano tem o nome de Ali Forley, um homossexual sem-teto de 22 anos que levou um tiro na cabeça nas ruas do Harlem, em Nova York. Siciliano sabe que se Forley tivesse um lugar seguro para pernoitar, ele talvez estaria vivo hoje.
(fonte: http://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2015/01/familias-partidas.html - acesso em 20/06/2015 às 14h20)

sábado, 16 de maio de 2015

Bíblia e Homossexualidade

Tudo que está escrito na bíblia é a palavra de Deus?

Os cristãos têm a bíblia como um guia. Esse livro sagrado fala sobre a homossexualidade! Na verdade, eu diria que ela é responsável pelas atitudes e julgamentos que as pessoas têm sobre o assunto. Por ser um livro sagrado, as pessoas simplesmente leem e ouvem sem questionar, não pesquisam e se tornam “gravadores” e saem reproduzindo roboticamente!
Quando uma pessoa estuda psicologia, administração, ciências sociais, por exemplo, ela aprende e discute sobre diversos assuntos e teorias trazidas por cientistas, psicólogos, pensadores...Essas teorias podem ser aplicáveis ou não. Em outras palavras, não existe o certo o errado para essas teorias. Elas dão certo em alguns casos e em outros não. É por isso que estudamos diversas teorias para aplica-las em situações diferentes.
A bíblia não é diferente! Ela é formada por “escrituras” feitas por diversos autores, homens como eu e você, passíveis de falhas e erros. Eles eram movidos pela fé em Jesus? Sim, é claro. Mas, eles continuavam homens, falhos e frágeis como eu e você.
Quando eles escreveram, eles foram motivados por sentimentos e foram influenciados pelo contexto histórico e cultura na qual estavam inseridos.
Vamos a bíblia agora, desde criança eu sempre ouvi alguns versículos e passagens bíblicas que me faziam julgar os gays: Uma é em levítico, o terceiro livro do antigo testamento. Esse livro traz as leis escritas por MOISES. E a outra, são epistolas (cartas) de PAULO enviados aos romanos e aos coríntios. Além dessas, tem as referências de Gêneses que se referem as cidades de Sodoma e Gomorra.
No capítulo 18 de levíticos, no verso 22, diz assim: “Com homem não te deitarás como se fosse mulher é abominação.” Depois de realizar diversas pesquisas eu pude compreender algumas coisas sobre esse versículo.
O livro de levítico foi escrito quando Moises conduzia o povo pelo deserto após tê-los libertado da escravidão do Egito e durante a condução do povo a terra prometida de Canaã. Eles levaram 40 anos percorrendo esse caminho. E durante esses anos, Moises tratou de mudar alguns costumes do povo e implantar a “ideia” que ele (Moises) tinha de Deus. E sinceramente, esse era o mesmo Deus que se referia Jesus Cristo?
Essas regras e leis primitivas são aplicáveis a qualquer época e em qualquer país? Lógico que não. Essas regras/Leis eram para aquele povo em específico e foram escritas a 3500 anos atrás.
Não dá para comparar a sociedade na qual vivemos hoje com aquele povo seminômade de costumes bárbaros.
As leis de levítico são compostas por regras tanto para a vida religiosa do povo quanto para normas para agricultura, forma de se vestir, código penal, regras de higiene e tals (Tudo misturado).
Essa camisa que você e eu estamos usando é um grande pecado segundo Levítico, porque ela é tecida com dois fios diferentes. “Não usarás roupas de dois estofos misturados” está escrito.
A minha mãe também peca bastante, na horta que temos no quintal, ela costuma plantar salsinha e alface. “No teu campo não semearás sementes de duas espécies.”
Transgrido a lei de Moises desde criança e nem sabia! Corto os cabelos de forma arredondadas. “Não cortareis o cabelo em redondo e nem danificareis as extremidades da barba”. Está tudo escrito lá em levítico.
Vemos logo no capítulo 20 e versículo 13 que, se for pego um homem que deitar-se com outro homem como se fosse mulher, ambos praticaram coisa abominável e serão mortos e seu sangue cairá sobre eles. (Pena de morte).
Diz também que, se um homem se juntar com um animal será morto e é necessário matar o animal. Eu queria saber qual é a culpa do animal por ter sido pego por um homem?
Aliás, o levítico prega que se uma virgem for estuprada, o GRANDE CASTIGO do estuprador é ter que CASAR com a virgem, ele pagará uma multa para o pai da moça e casa-se com ela. Eles, é claro, não pensaram na mulher nem em seus sentimentos, fazendo com que ela viva intimamente com o “agressor” para o resto da vida dela. Você acha que Deus (O Deus pregado por Jesus) é o mesmo que influenciou Moisés na criação dessas leis? Essas leis são de Deus?
Uma coisa que sempre chamou a minha atenção é o fato da relação entre mulheres nunca serem citadas na bíblia. Descobri uma coisa bem interessante. Na verdade, está bem clara, mas as pessoas simplesmente não notam, porque não conhecem o contexto na qual a bíblia foi escrita. Perceba que 98% ou 99% dessas leis de levíticos foram escritas para os homens. A mulher não existia, ela era apenas mais uma propriedade do homem. O homem possuía seus rebanhos, suas cabras, seus carneiros, sua casa e sua mulher. Olha só que interessante, a pena de adultério cometida pela mulher, era o apedrejamento. Isso nos leva a pensar que essa atitude do homem em matar a mulher por apedrejamento era por amor ou por ciúme doentio, mas não era nada disso. Ele estava sendo burlado em sua propriedade. É a mesma coisa dele ter uma galinha e ela colocar ovos no terreno do vizinho, os ovos então pertenceriam ao vizinho. A mesma coisa é a mulher dele. Ela é propriedade dele. Se ela tem relações sexual com outro homem, ela está favorecendo outro homem, sendo assim, essa posse é infiel por isso deve morrer. Aliás, no velho testamento inteiro, a mulher é propriedade do homem. Por isso os versículos de submissão e tals.
Outra coisa superinteressante é que no velho testamento e no novo testamento existem passagens que autorizem a escravidão. As leis atuais não permitem, obviamente, mas estão lá nas escrituras.
"Se alguém ferir a seu servo, ou a sua serva, com pau, e morrer debaixo da sua mão, certamente será castigado; porém se sobreviver por um ou dois dias, não será castigado, porque é dinheiro seu.
"E o servo que soube a vontade do seu senhor, e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites;" Lucas 12:47 

"Vós, senhores, fazei o que for de justiça e eqüidade a vossos servos, sabendo que também tendes um Senhor nos céus." Colossenses 4:1
Se tiver dúvidas, pesquise o significado da palavra ‘servo’. Aliás, foi por causa dessas passagens bíblicas que a igreja católica apoiou e favoreceu o sistema escravocrata aqui no Brasil. Te pergunto mais uma vez, isso é aplicável nos dias atuais?
Enfim, retomando as leis de Moises, é evidente que não era Deus e sim de Moises.
O que veio de Deus são os dez mandamentos, só! O resto foi escrito por Moisés e serviu para beneficiar e privilegiar Arão, que era seu irmão. Arão era um sacerdote e as leis era para privilegiar as classes sacerdotais. A politicagem não nasceu hoje!
As leis eram masculinas, o mundo era dos homens. A mulher não tinha vez. A mulher era um objeto de reprodução apenas. Qualquer coisa que rebaixasse o homem e que o tornasse “semelhante a mulher” era proibida e punida. É nesse sentido que é proibida a relação entre dois iguais. Podemos notar pela forma que era escrito “Com homem não te deitarás como se fosse mulher é abominação.” Fica evidente a proibição da forma passiva da mulher na relação sexual que submetia o homem (Não me entenda mal, por favor). Um homem ser semelhante a uma mulher é inaceitável. Já ouvi muito a expressão machista que “comer viado pode” (Hipocrisia) (Desculpa pelo termo usado). O que não pode é assumir uma posição passiva porque homem está se assemelhando a mulher, portanto está se rebaixando de forma imperdoável. Hoje eu entendo de onde surgiu esse contexto histórico.
Isso não é evidente apenas no contexto bíblico ou exclusivo apenas do povo hebreu, mas na antiga Grécia, por exemplo, os grandes filósofos, como Sócrates, amado por Alcibíades e manteve um relacionamento com ele. Infelizmente, eu falo com sinceridade, que a mulher nessa sociedade não era valorizada, era humilhada e destituída, servia apenas para a reprodução.
Lembrando um pouco sobre Sodoma e Gomorra, cresci ouvindo que a cidade foi destruída por causa da homossexualidade. E com algumas horas dedicadas as pesquisas, descobri que não é essa a verdadeira causa. Isso fez com que continuasse pesquisando. Fez-me ver que nem tudo que aprendi era realmente verdade.
A história de Sodoma é narrada no primeiro livro da bíblia, onde os personagens são Ló, sobrinho de Abraão, e sua família. A cidade era conhecida “pelos seus pecados.” E erroneamente, relacionam esses pecados com a homossexualidade.
O relato bíblico diz que Deus envia dois anjos (Mensageiros) para destruir Sodoma e Gomorra e Abraão intercede junto a Deus pedindo que se houvesse apenas um homem justo naquelas cidades, que elas não fossem destruídas. Deus aceita negociação com Abraão e os anjos chegam a cidade. Ló está na entrada da cidade e insiste que eles vão até a casa dele. Os anjos aceitam e Ló os tratam muito bem, servem a eles um banquete, lavam os seus pés em sinal de boa “hospitalidade,” muito prezada pelo povo hebreu.
Aliás, era esse o grande pecado de Sodoma e Gomorra, a falta de hospitalidade e a falta de humildade e cuidados para com o próximo. E logo em seguida, chegam os habitantes daquela cidade, tinha desde crianças até o mais velho e ordena que Ló levasse os anjos para fora para eles abusassem sexualmente desses mensageiros em público. Por isso se deduzem equivocadamente que esses habitantes eram gays. Primeiro ponto, fora da casa de Ló tinha desde crianças até idosos. Me responde uma coisa, seria possível todos serem gays? Sabemos que os grupos de homossexuais são a minoria se comparados com os heterossexuais.
Segundo ponto, Ló oferece suas próprias filhas virgens para serem abusadas no lugar dos anjos. Nessa passagem fica mais uma vez evidente que a mulher não tinha valor nenhum para aquela sociedade, pois valia mais uma mulher abusada do que dois homens, não só porque eles eram anjos de Deus, mas sim por causa da lei da hospitalidade, se puder, leia juízes 19, fala sobre a hospitalidade e reforça como a mulher era tratada. Em um terceiro ponto, porque Ló ofereceria suas filhas para homossexuais? Faz sentido?
Fica bem claro que aqueles homens queriam violência e não um relacionamento por amor ou atração. E o mais absurdo disso tudo é Ló oferecer suas filhas para serem abusadas no lugar dos homens mensageiros. “A homossexualidade é errada mas dar as filhas para serem estupradas não”.
O pecado dessa cidade era falta de hospitalidade, xenofobia (repulsa ao estrangeiro ou que é diferente) e cultos a Baal, na qual crianças eram sacrificadas.
Agora eu cheguei na parte mais interessante. Ao novo testamento!
Você pode estar pensando, “Ah mais tudo isso que você falou está no velho testamento.” Mas, tudo que eu falei anteriormente se aplica ao novo testamento também. Repito que eu aprendi a olhar apenas para o evangelho de Jesus. O que ele falou se aplica em qualquer época, cultura e povo. Ele nos ensinou sobre o amor, o respeito, compaixão e estender a mão ao próximo.
Na epístola (carta) aos romanos, Paulo, que foi um dos primeiros organizadores do Cristianismo, se comunicava por cartas com as igrejas e agrupamentos religiosos espalhados pelos povos antigos. Juntaram essas cartas de Paulo e colocaram na Bíblia, fazendo parte do novo testamento. No meu ver, essas cartas são importantes apenas para conhecermos como o cristianismo se difundiu e como ele era olhado em suas origens. Ou seja, como tudo começou. Uma coisa que os cristãos não entendem é que, o que está escrito nessas cartas é a opinião de Paulo (Um homem falho como você e eu). Um homem respeitável, porém, é a opinião dele. E ele estava inserido em um contexto, sociedade e cultura diferente.
Se tudo o que está escrito na bíblia é a palavra de Deus, como entender ou responder as “carnificinas” ordenadas por um deus cruel e desumano que é relatado no velho testamento? Seria o mesmo Deus de amor que prega Jesus Cristo? Conforme Moises ia levando o povo pelo deserto em busca da terra prometida, ele mandava destruir os povos que estavam em seus caminhos mandando matar a todos e não poupar nem as crianças e deixar apenas as virgens, já que eram mercadorias. Rios de sangue foram derramados por ordem de “Deus” no antigo testamento  (?).
Eu sou mais acreditar em um Deus pregado por Jesus: Um Deus bom e justo, que me ama, que me criou e que conhece minha “estrutura”.
Enfim, voltando para as cartas de Paulo aos romanos, no capítulo 1 e versículo 24 ao 27, diz assim:
24- Por isso Deus os entregou, nas concupiscências de seus corações, imundícia, para serem os seus corpos desonrados entre si; 
25- pois trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram criatura antes que ao Criador, que é bendito eternamente. Amém. 
26- Por causa disso, Deus os entregou a paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural no que é contrário natureza; 
27- semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para como os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a devida recompensa do seu erro.
Paulo escreve essas cartas aos romanos na época em que o imperador era Calígula. Esse imperador entrou para a história por causa de suas perversidades e pelas suas façanhas sexuais. Ele chegou a nomear seu cavalo como senador do império, embora não tinha sido aceito. Mas só para você ver como o cara era “charope”. É a partir daí que precisamos entender o contexto histórico na qual Paulo escrevia essa carta.
Era um período na qual o sexo estava totalmente banalizado, era um vício generalizado entre a população. Era no sentido de conter esses vícios que Paulo se reporta aos romanos.
A carta está se referindo as práticas homossexuais comparando-as com idolatria e rituais de orgia. Naquela época, Roma tinha adotado diversos costumes de povos pagãos. Inclusive, a igreja primitiva adotou uma série de rituais e costumes de religiões pagãs. Naquela época havia muitas práticas ritualísticas envolvendo sexo, “o sexo sacerdotal” ou “prostitutos e prostitutas sagrados” (depois pesquise sobre, se quiser). Haviam crianças, meninos e adolescentes do sexo masculino que pertenciam ao estado, eram adotados pelo império para reserva-los à prática sexual, isso está documentado (Pode pesquisar) não é uma opinião.
Nesse verso “Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural no que é contrário natureza;” alguns pastores pensam que é a poligamia, ou seja, ter mais de um parceiro ou pior ainda, eu já ouvi que “uso natural” no trecho acima seria a troca do sexo vaginal pelo anal ou lesbianismo. Não é nada disso! Paulo se refere a idolatria. Mulheres se prostituíam em cultos a deuses estranhos.
Platão considerava a homossexualidade contraria a natureza por considerar a homossexualidade como a incapacidade de controlar o desejo de prazer, então o sexo antinatural para Platão era um defeito igual a “gula” era a busca desenfreada pelo prazer. Porque o sexo entre homens na época era normal, era a norma, era a regra no tempo de Platão, mas era o sexo praticado entre homens adultos (maduros) com adolescentes impúberes (que na minha opinião é um absurdo, desumano e inaceitável). Isso era normal. O que era considerado errado, segundo Platão e outros pensadores, era o sexo praticado entre homens adultos. Porque o adolescente, o menino era considerado “semelhante a mulher” na sua inferioridade, então, ele devia ter um posicionamento passivo intelectualmente e sexualmente até que ele se tornasse homem adulto e adotasse a postura de dominador. O mundo antigo pertencia aos homens, as mulheres não tinham espaço. Ser ativo é ser macho.
Paulo escreve em suas cartas que a mulher não deve ensinar nas igrejas e o seu papel é de submissão total ao homem e deve permanecer calada, essa é a prova de que Paulo era influenciado pela cultura na qual estava inserido e escreve em suas cartas o seguinte:
A mulher aprenda em silêncio com toda submissão e não permito que a mulher ensine e nem exerça autoridade de homem, esteja, porém em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva e Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada caiu em transgressão. Todavia, será preservada através de sua missão de mãe se ela permanecer em fé amor e santificação com bom senso.” Ou seja, mulher é para ser mãe; não deve pregar em igreja em hipótese nenhuma. (Isso as igrejas não obedeceram Paulo, interessante). Questionei minha mãe (que prega na igreja) sobre isso e ela simplesmente me respondeu “Ah isso foi nos dias de Paulo.”
Veja o que ele diz também: “Porque na verdade, o homem não deve cobrir a cabeça por ele ser imagem e glória de Deus, mas a mulher é a gloria do homem. Porque homem não foi feito da mulher e sim a mulher foi feita do homem. Porque também o homem não foi criado por causa mulher e sim a mulher foi criada por causa do homem.”
A mulher é considerada propriedade do homem. Os homens cristãos se baseiam nesse relato para dizer que a mulher deve ser submissa.
Deus fez o homem a sua imagem e semelhança, isso inclui as mulheres também. O relato acima condiz com isso? Será que Paulo e Moises estenderiam a mão para aquela prostituta que estava prestes a ser apedrejada em público, como fez Jesus Cristo?
Era esse o contexto na qual a homossexualidade foi escrita. Quando o homem se compara a mulher e se sujeita a um relacionamento passivo, por exemplo, ele se torna semelhante a ela e isso é inaceitável e repudiante. E o sexo entre duas mulheres gostosas é até fetiche para alguns homens. Interessante isso, não?
Aos coríntios, capítulo 6 e versículo 9, Paulo diz o seguinte:
9-  Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus?
10- Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus.
Repare a palavra “efeminados” no versículo. Efeminados levam os trejeitos femininos ou a delicadeza de uma mulher, pode se referir a fraqueza, fragilidade (forma como a mulher era vista). E, não necessariamente são homossexuais. Tem homens que tem os trejeitos másculos e por isso parecem héteros que na verdade são gays e da mesma forma, afeminados que são heterossexuais.
Note como a tradução da bíblia é preconceituosa. Quem a traduziu estava equivocado ou muito mal-intencionado, concorda? Tem muitos afeminados que foram mortos por essa palavra, por esse versículo que os condenaram antes mesmo do juízo final. Sem falar que incita a violência e o preconceito.
Algo interessante aconteceu recentemente, por causa dessa polêmica, mudaram a palavra em ‘efeminado’ por ‘Homossexuais’, agora está assim nas bíblias atualizadas:
10- Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os homossexuais, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus.
Me responda uma coisa, como o termo homossexual criado na década de 70 traduz uma palavra usada a mais de 2000 anos?
Eu questiono qual será a palavra original (do texto original) que traduziram esse versículo.
A palavra original que traduziram como “efeminados e homossexual” é MALAKOI que literalmente quer dizer “Mole” que podia ser uma gíria da época. Se Paulo estivesse se referindo a homossexualidade, como era praticada naquela época, ele utilizaria uma palavra já existente, especificamente para isso, que era PEDERASTA, uma palavra conhecida de todos, pois ele conhecia a cultura grega. Provavelmente ele utilizaria essa palavra.
A bíblia de Jerusalém, que é edição mais respeitada e sua tradução é a mais próxima do original, escreve o mesmo versículo da seguinte forma:
“Não vos iludais, nem os devassos, nem os idolatras, nem os adúlteros, nem os depravados, nem as pessoas de costumes infames (sodomitas) ...”
Essa palavra MALAKOI traduzida na versão Almeida como efeminado ou homossexual, é muito provável que se refere ao homem “mulherengo” e por isso foi traduzido como depravados na versão da bíblia de Jerusalém.
Na segunda epistola a Timóteo, o contexto e a opinião de Paulo a este respeito:
Ele diz a Timóteo que os homens serão egoístas, avarentos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos...Pois entre estes encontram-se os que penetram-se sorrateiramente nas casas e conseguem cativar a mulheres sobrecarregadas de pecados e conduzidas de várias paixões. Ou seja, ele se refere a homens depravados sexualmente.
Mesmo que a opinião de Paulo seja contra a homossexualidade de um modo geral, temos outras opiniões ou relatos no novo testamento, como de Tiago, por exemplo, que foi apóstolo de Jesus, conviveu com cristo, diferente de Paulo. “E o que Tiago nos diz no capítulo 2 é que Deus não faz acepção de pessoas.”
Se vocês de fato obedecerem à lei real encontrada na Escritura que diz: "Ame o seu próximo como a si mesmo", estarão agindo corretamente. Tiago 2:8
Pois quem obedece a toda a Lei, mas tropeça em apenas um ponto, torna-se culpado de quebrá-la inteiramente. Tiago 2:10
Porque será exercido juízo sem misericórdia sobre quem não foi misericordioso. A misericórdia triunfa sobre o juízo! Tiago 2:13
De forma resumida, eu aprendi a “aprender” com Jesus. Seguir o que está escrito nos evangelhos. Isso é primordial, o resto é secundário, serve apenas como apoio a “modos de interpretar e entender. ” (Repare que para cada termo preconceituoso ou que alimente o ego do homem ou reforce a submissão da mulher é embasada nos livros secundários e não nos evangelhos de Jesus).
Vimos lá no Levítico várias condenações a homossexualidade, mas aquele mesmo povo queimavam seus filhos no fogo em homenagem a outros deuses pagãos, como moloch (Moloque) ou baal.
Manassés e Acas grandes líderes do povo hebreu fizeram isso, mandaram matar e queimar seus próprios filhos em homenagem a Moloch.
No novo testamento, vimos as cartas escritas aos efésios, aos colossenses e aos Timóteo regrando a escravidão. Escravidão era aceita por Paulo. E Paulo escreveu a quase 2000 anos e isso é aplicável nos dias atuais? Devia! Afinal, é Paulo né? Lógico que não. Ele vivia em um outro contexto, era outro mundo era outra civilização! Vamos adotar tudo que Paulo nos diz?
Já os ensinamentos de Jesus se aplicam em todos os lugares e séculos.
Esses ensinamentos nos trazem liberdade, nos ensina a perdoar, a ver sem preconceitos, a estender a mão. Inclusive, lembro-me da passagem em que ele salva uma prostituta de um apedrejamento, ele estende a mão e não apenas a levanta, mas ergue a sua moral e a valoriza, coisa que cristãos não fizeram durante a história e até mesmo não fazem nos dias de hoje.
Existe outra questão: Deus não criou o homem para viver só! E concordo com isso. Somos seres sociáveis. Crescemos em vários aspectos, inclusive intelectualmente quando mantemos contato com outras pessoas. Ou seja, o relacionamento interpessoal é fundamental. Mas, aprendi que nunca estamos sozinhos, Deus sempre arruma um jeito de colocar pessoas maravilhosas em nossos caminhos, tais como amigos que as vezes são mais chegados que um irmão.
Sobre casar-se, temos a influência tanto da nossa cultura quanto da bíblia que é “deixar pai e mãe e unir-se a uma mulher.” Mas Jesus, em sua infinita sabedoria diz o seguinte:
Ele, porém, lhes disse: Nem todos podem receber esta palavra, mas só aqueles a quem foi concedido.
Porque há eunucos que assim nasceram do ventre da mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se castraram a si mesmos, por causa do reino dos céus. Quem pode receber isto, receba-o.
Mateus 19:11-12 (Leia o trecho completo)
Nessa passagem, Jesus fala sobre o casamento e o divórcio. Jesus defende o casamento e a união entre homem e mulher, reforçando o que Deus ordenara desde o princípio, mas ele deixa claro que nem todos podem receber essa palavra porque há eunucos que assim nasceram do ventre da mãe, ou seja,  há homens que nasceram com problemas genitais, isso pode incluir tanto um defeito no órgão genital, propriamente dito, como hermafroditas, por exemplo, ou pessoas com distúrbio de personalidade ou hormonal, podemos nos referir também as pessoas que não possuem a libido sexual ou atração pelo sexo oposto, por exemplo. Essas pessoas podem receber essa palavra? Elas seriam felizes? Como ficaria o psicológico dessas pessoas? Elas viveriam de aparência?
Quando Jesus se refere aos eunucos castrados pelos homens, são aqueles que voluntariamente ou involuntariamente se tornaram assim. Pode se referir aqueles homens que se permitiam ser castrados para prestar serviços a reis, como cuidadores das concubinas nas antiguidades, por exemplo. Ou, no meu ponto de vista, são aqueles jovens ou crianças que foram abusadas e por serem expostos a essa situação elas se foram “tornadas” assim. Nestes casos, eu acredito que um tratamento psicológico pode ajudar, mas infelizmente, essas pessoas nunca mais serão as mesmas. Levarão marcas para o resto de suas vidas (lamentável). Talvez nunca conseguirão constituir família, ou talvez viverão inseguras com sua sexualidade.
E por último, Jesus se refere aos eunucos que castraram a si mesmo por causa do reino de Deus, ele se refere a si mesmo e todas as pessoas que escolhem dedicar-se exclusivamente a Deus e ao seu chamado.
Jesus, deixa claro nessa passagem que somos “Livres”. Desde o início, Deus fez o homem e a mulher para casarem-se, mas existem fatores psicológicos, físicos, sentimentais e da natureza de cada pessoa que as fazem escolher aceitar ou não esse conselho. Jesus assegurou esse direito!
Aos pouco a gente vai se encontrando e encontrando a liberdade!



Seja você mesmo e pare de se comparar!

Durante muitos anos da minha vida eu tentei ser como as outras pessoas. Tentei orar como elas, agir como elas e até pensar como elas. Depois de muitas lutas e insatisfação, finalmente entendi que Deus nunca iria me ajudar a ser alguém, a não ser eu mesmo. Aprendi que existe uma razão por Ele ter me feito desse jeito e que é muito complicado tentar ser alguém - É muito mais fácil ser nós mesmo, e Deus nos ensina como fazer isso, pois essa é a vontade Dele. 

A maior liberdade que você pode ter é ser você mesmo. Jesus veio para libertar as pessoas em muitos aspectos da vida, e fazer com que sejamos nós mesmos, é um deles. Você não precisa competir para ser melhor que ninguém. A Bíblia diz em 2 Coríntios 10:12 que quem faz isso, age sem entendimento. Por isso, tudo o que Deus espera é que tentemos ser o melhor que consigamos. Eu sempre penso assim: "Deus quer que eu seja uma pessoa melhor, um cristão melhor, um filho melhor, um marido melhor, um pai melhor etc." Então, desde que eu entendi isso, tenho crescido muito e sofrido menos.

Podemos olhar para as pessoas como exemplos que nos ajudarão a melhorar em certas áreas do nosso comportamento, mas nunca devemos deixar que ninguém, a não ser Jesus, seja o nosso modelo. O apóstolo Paulo pediu para as pessoas o imitarem, assim como ele imitava a Cristo (1 Co 11:1). Ou seja, ele disse que era um exemplo para elas, mas nunca disse para elas serem exatamente iguais a ele. Deus dá dons e talentos para cada um, e você deve usar aquilo que Deus colocou em suas mãos, ao invés de ficar desejando os dons que os outros têm.

Seja você mesmo e faça seu melhor para Deus. Se as pessoas o rejeitarem, estarão rejeitando o que Deus criou, e não o que você criou. É lógico que nós precisamos mudar em muitas áreas, mas só Deus pode fazer a verdadeira mudança, e isso Ele faz do jeito Dele e no tempo Dele. Às vezes ficamos tão mal por não gostarmos de quem somos, e com isso criamos uma imagem falsa para mostrarmos ao mundo. Geralmente isso acontece quando temos problemas nos relacionamentos. Mas quando começamos a experimentar a liberdade de sermos simplesmente quem Deus quer que sejamos, a unção de Deus vem e as pessoas percebem a diferença em nossas vidas. Aprendi a parar de tentar fazer as pessoas gostarem de mim e comecei a confiar que Deus é quem me daria relacionamentos abençoados. Se você decidir aceitar e gostar de si mesmo como Deus o fez, você irá encontrar mais aceitação e menos rejeição das pessoas.

Cada um examine os próprios atos, e então poderá orgulhar-se de si mesmo, sem se comparar com ninguém.” (Gálatas 6:4)

Fonte: http://www.pastorantoniojunior.com.br/mensagens-evangelicas/seja-voce-mesmo#ixzz3aL5jWmCy

Ser gay é pecado?

por Cynara Menezes — publicado 11/11/2011 11h40, última modificação 14/11/2011 16h43
Um grupo influente de religiosos católicos e protestantes opõe-se à onda conservadora e defende que a Bíblia não condena o homossexualismo
Em seu programa de tevê e nos cultos, o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, um dos maiores porta-vozes do conservadorismo religioso no País, costuma repetir a ladainha: “Homossexualidade na Bíblia é pecado. Pode tentar, forçar, mas é pecado”. Mas será mesmo pecado ser gay? Não, contestam, baseados na interpretação da mesma Bíblia, sacerdotes cristãos, tanto católicos quanto evangélicos. Para eles, a mensagem de Jesus era de inclusão: se fosse hoje que viesse à Terra, o filho de Deus teria recebido os homossexuais de braços abertos.
“Orientação sexual não é o que vai definir a nossa salvação”, afirma o bispo primaz da Igreja Anglicana no Brasil, dom Maurício Andrade. “É muito provável que as pessoas homoafetivas fossem acolhidas por Jesus. O Evangelho que ele pregou foi de contracultura e inclusão dos marginalizados”, opina. Segundo o bispo, ao mesmo tempo que não há nenhuma menção à homossexualidade no Novo Testamento, há várias passagens que demonstram a pregação de Jesus pela inclusão. Não só o conhecido “quem nunca pecou que atire a primeira pedra” à adúltera Maria Madalena.
No Evangelho de João, capítulo 4, Jesus está a caminho da Galileia, partindo de Jerusalém. Cansado, decide descansar ao lado de um velho poço, em plena região da Samaria, cujos habitantes eram desprezados pelos judeus. E inicia conversação com uma mulher samaritana que vinha buscar água, e lhe oferece a salvação da alma, para espanto de seus próprios apóstolos, que a consideravam ímpia. Também quando Jesus vai à casa de Zaqueu, o coletor de impostos decidido a passar a noite lá, os discípulos murmuram entre si que se hospedaria “com homem pecador”. Mas Jesus não só o faz como também oferece a Zaqueu, homem rico tido como ladrão, a salvação. “Hoje veio a salvação a esta casa, por este ser também filho de Abraão.”
“Jesus inaugura o momento da Graça, os Evangelhos atualizam vários trechos do Velho Testamento. Ou alguém pode imaginar apedrejar pessoas hoje em dia?”, questiona dom Maurício, para quem a interpretação da Bíblia deve se basear no tripé tradição, razão e experiência cotidiana. “Quem interpreta que a Bíblia condena a homoafetividade está sendo literalista. Cada texto bíblico está inserido num contexto político, histórico e cultural, não pode ser transportado automaticamente para os dias de hoje. Além disso, a Igreja tem de dar resposta aos anseios da sociedade, senão estaremos falando com nós mesmos.”
Também anglicano, o arcebispo Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz em 1984, lançou em março deste ano o livro Deus Não É Cristão e Outras Provocações, que traz um texto sobre a inclusão dos cidadãos LGBT à Igreja e à sociedade. Para Tutu, a perseguição contra os homossexuais é uma das maiores injustiças do mundo atual, comparável ao apartheid contra o qual lutou na África do Sul. “O Jesus que adoro provavelmente não colabora com os que vilipendiam e perseguem uma minoria já oprimida”, escreveu. “Todo ser humano é precioso. Somos todos parte da família de Deus. Mas no mundo inteiro, lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros são perseguidos. Nós os tratamos como párias e os fazemos duvidar que também sejam filhos de Deus. Uma blasfêmia: nós os culpamos pelo que são.”
Nos Estados Unidos, a Igreja Anglicana foi a primeira a ordenar um bispo homossexual, em 2004. “Não por ser gay, mas porque a Igreja reconheceu o serviço e o ministério dele”, alerta dom Maurício. Foi com base na demanda crescente de respostas por parte dos fiéis homossexuais ou com -parentes e amigos gays que os anglicanos começaram a rever suas posturas, a partir de 1997. No ano seguinte, foi feita uma recomendação para que os homoafetivos fossem escutados, embora a união de pessoas do mesmo sexo ainda fosse condenada e que se rejeitasse a prática homossexual como “incompatível” com as Escrituras.
No Brasil, onde possui mais de 60 mil seguidores, a Igreja Episcopal Anglicana realizou em 2001 a primeira consulta nacional sobre sexualidade, quando seus fiéis decidiram rejeitar “o princípio da exclusão, implícito na ética do pecado e da impureza”, e fazer uma declaração pública em favor da inclusividade como “essência do ministério encarnado de Jesus”. Em maio deste ano, os anglicanos divulgaram uma carta de apoio à decisão do Supremo Tribunal Federal de permitir a união civil entre pessoas do mesmo sexo, baseados não só na defesa da separação entre Estado e Igreja como no reconhecimento de que as relações homoafetivas “são parte do jeito de ser da sociedade e do ser humano”.
Com o reconhecimento pelo Superior Tribunal de Justiça, em 25 de outubro, da união civil de duas lésbicas, é possível que a intolerância religiosa contra os homossexuais volte a se acirrar. No Twitter, Malafaia atiçava os seguidores a enviar e-mails aos juízes do Tribunal pedindo a rejeição do recurso. Em vão: a união entre as duas mulheres gaúchas, juntas há cinco anos, ganhou por 4 votos a 1.
A partir da primeira decisão do STF, foi criada, informalmente até agora, uma frente religiosa pela diversidade sexual, que reúne integrantes de diversas igrejas: batistas, metodistas, anglicanos, luteranos, presbiterianos, católicos e pentecostais. Coordenador do grupo, o metodista Anivaldo Padilha (pai do ministro da Saúde, Alexandre Padilha) diz que a homossexualidade é hoje um dos temas que mais dividem as igrejas, tanto evangélicas quanto católicas. “Quem alimenta o preconceito são as lideranças. Os fiéis manifestam dificuldade em obter respostas, porque no convívio com amigos, colegas ou mesmo parentes que sejam homossexuais não veem diferença.”
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Mais: segundo Padilha, a proporção de homossexuais entre os evangélicos é bastante similar à da sociedade brasileira como um todo. Sua convicção vem da pesquisa O Crente e o Sexo, do Bureau de Pesquisa e Estatística Cristã, entidade que possui o maior banco de dados com e-mails de evangélicos brasileiros – mais de 1,6 milhão. Na pesquisa, foram ouvidos pela internet 6.721 solteiros evangélicos de todo o País, entre 16 e 60 anos. Os resultados, divulgados em junho deste ano: 5,02% dos evangélicos tiveram uma experiência homossexual e 10,69% disseram desejar experimentar ter relações com pessoas do mesmo sexo.
Uma pesquisa feita em 2009 pelo Ministério da Saúde com os brasileiros em geral apontou que 7,6% das pessoas- entre 15 e 64 anos haviam tido relações com o mesmo sexo na vida. Quer dizer, a diferença entre os hábitos sexuais dos crentes e do resto da população é quase nula. “A questão não é teológica”, argumenta Padilha. “O que existe é que esse tema tem sido utilizado politicamente pela direita brasileira. Como não existe mais o comunismo, conseguem manipular a opinião pública assim. Eles têm o direito de expressar opiniões, mas não se pode impor ao Estado conceitos de pecado que não dizem respeito aos que professam outras religiões, ou nenhuma.”
De acordo com historiadores, a posição religiosa em relação à homossexualidade mudou ao longo dos séculos: de mais tolerante para menos. O americano John Boswell, pesquisador da Universidade Yale que morreu de Aids- aos 47 anos em 1994 e que dedicou a vida acadêmica a investigar a homossexualidade relacionada ao cristianismo, afirmava que a Igreja Católica não condenou as relações entre o mesmo sexo até o século XII. Ao contrário: o historiador, contestado por alguns e aclamado por outros, revelou no livro O Casamento entre Semelhantes – Uniões entre pessoas do mesmo sexo na Europa pré-moderna (1994) a existência de manuscritos que comprovam a celebração de rituais matrimoniais religiosos durante toda a Idade Média por sacerdotes católicos e ortodoxos para consagrar uniões homossexuais.
Nos 80 manuscritos descobertos por Boswell sobre as bodas gays entre os primeiros cristãos, invocava-se como protetores os santos católicos Sérgio e Baco, tidos como homossexuais. Celebrados no dia 7 de outubro, São Sérgio e São Baco aparecem juntos em toda a iconografia religiosa a partir do século IV depois de Cristo e atualmente são objeto de homenagem de vários artistas plásticos ligados ao movimento LGBT. Soldados do imperador romano Maximiano, foram ambos martirizados por se recusar a entrar em um templo e adorar Júpiter. Baco, flagelado com chicotadas, morreu primeiro. Uma crônica, provavelmente do século- X, conta que Sérgio “com o coração enfermo pela perda de Baco, chorava e gritava: ‘te separaram de mim, foste ao Céu e me deixaste só na Terra, sem companhia nem consolo’”.
Em fevereiro deste ano, o pesquisador e professor de Literatura Carlos Callón, da Universidade de Santiago de Compostela, na Espanha, foi premiado pelo ensaio Amigos e Sodomitas: A configuração da homossexualidade na Idade Média, onde conta a história de Pedro Díaz e Muño Vandilaz, protagonistas do primeiro matrimônio homossexual da Galícia, em 16 de abril de 1061. No documento, o casal compromete-se a morar juntos e se cuidar mutuamente “todos os dias e todas as noites, para sempre”. Segundo Callón, há muitos relatos semelhantes, inclusive com rituais religiosos similares aos heterossexuais, com a diferença de que as bênçãos faziam alusão ao salmo 133 (“Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos”), ao amor de Jesus e João ou a São Sérgio e São Baco.
“Trato também na pesquisa de como na lírica ou na prosa galego-portuguesa medievais aparecem alguns exemplos de relações entre homens”, diz o professor. “As relações homossexuais são documentáveis em todas as épocas, o que houve foi um processo de adulteração, de falsificação da história, para nos fazer pensar que não.” Outro dado importante ressaltado pelo pesquisador é que a perseguição contra os homossexuais vem originalmente do Estado. Só mais tarde a Igreja se converteria na principal fonte do preconceito.
“Os traços básicos do preconceito contra a homossexualidade tiveram sua origem na Baixa Idade Média, entre os séculos XI e XIV. É nessa altura que emerge a intolerância homofóbica, desconhecida na Antiguidade. Inventa-se o pecado da sodomia, inexistente nos mil primeiros anos do cristianismo, a englobar todo o sexo não reprodutivo, mas tendo como principal expoente as relações entre homens ou entre mulheres. Com o tempo, passará a ser o seu único significado”, explica Callón.
De fato, a palavra “sodomia” para designar o coito anal em geral e as relações homossexuais em particular, e ao que tudo indica foi introduzida na Bíblia por seu primeiro tradutor ao inglês, o britânico John Wycliffe (1320-1384). Wycliffe traduziu o termo grego arsenokoitai como “pecado de Sodoma”. Daí a utilização da palavra “sodomita” para designar os gays, o que acabou veiculando-os para sempre com o relato bíblico das pecadoras cidades de Sodoma e Gomorra, destruídas por Deus com fogo e enxofre para punir a imoralidade de seus habitantes. Mas o significado real de arsenokoitai (literalmente, a junção das palavras “macho” e “cama”) é ainda hoje alvo de controvérsia.
O próprio termo “homossexual” para designar as pessoas que preferem se relacionar com outras do mesmo sexo é recente: só passou a existir a partir do século XIX. A versão revisada em inglês da Bíblia, de 1946, é a primeira a utilizá-lo. Isto significa que as menções à “homossexualidade”, “sodomia” e “sodomitas” nas escrituras seriam mais uma questão de interpretação do que propriamente de tradução.
“A Bíblia, infelizmente, tem sido usada para defender quaisquer posicionamentos, desde a escravidão (sobram textos que legitimam a escravatura) ao genocídio”, opina o pastor Ricardo Gondim, da Igreja Betesda de São Paulo, protestante. “Como o sexo é uma pulsão fundamental da existência, o controle sobre essa pulsão mantém um fascínio enorme sobre quem procura preservar o poder. Assim, o celibato católico e a rígida norma puritana não passam de mecanismos de controle. O uso casuístico das Escrituras na defesa de posturas consideradas conservadoras ou ‘ortodoxas’ não passam, como dizia Michel Foucault, de instrumentos de dominação.”
“Um teólogo que eu admiro muito, Carlos Mesters, costuma dizer que a Bíblia é uma flor sem defesa. Dependendo da mão e da intencionalidade de quem a usa, a posição mais castradora ou a mais libertadora pode ser defendida usando-a”, concorda a pastora Odja Barros, presidente da Aliança de Batistas do Brasil, espécie de dissidência da Igreja Batista que aceita homossexuais entre seus integrantes – são seis igrejas no País. Tudo começou há cinco anos, conta Odja, quando se colocou diante de sua igreja, em Maceió, o desafio: um homossexual converteu-se e não queria abrir mão de seu gênero. Foi uma pequena revolução. Alguns integrantes deixaram a Igreja, outros se juntaram a ela, e houve fiéis que, animados, também resolveram se revelar homossexuais. “Em todas as comunidades evangélicas existem gays, mas são reprimidos”, afirma a pastora.
Um dos pontos principais para a compreensão da questão à luz da Bíblia, de acordo com Odja Barros, é desconstruir as leituras mais hegemônicas, patriarcais, que afetam a vida não só dos gays, como das mulheres. Há trechos, por exemplo, que justificam a submissão e a violência contra a mulher. A própria Odja só se tornou pastora graças a essa releitura. “As pessoas vêm me dizer que sou feminista, que sou moderna, mas me sinto muito fiel a algo -muito -antigo, que é a defesa da dignidade do ser humano sobre todas as coisas. O Evangelho tem a ver com esses valores”, argumenta. “A sociedade caminhou mais rápido e é um desafio à Igreja, quando deveria ser o contrário.”
Entre os católicos, curiosamente, a homossexualidade não é vetada a partir da Bíblia, mas a partir da concepção de que seria antinatural, ou seja, fora do objetivo da procriação. É assim, até hoje, que prega a Igreja, daí a condenação também ao uso de contraceptivos como a camisinha. Tudo isso vem de uma época em que se conhecia muito pouco de biologia. A descoberta do clitóris como fonte do prazer feminino, por exemplo, é do século XVI. O ovário, que sacramentou a diferença entre homem e mulher, só foi descoberto no século XVIII. Até então, pensava-se que a mulher era um homem em desvantagem, um corpo masculino “castrado”.
“Além disso, hoje temos conhecimento de uma gama impressionante de comportamentos sexuais entre os animais, o que inclui homossexualidade e hermafroditismo”, defende o padre católico James Alison, britânico radicado em São Paulo. Homossexual assumido, Alison conta que se situa numa espécie de “buraco negro” em que se encontram, segundo ele, muitos padres católicos gays: sem função como párocos, não estão subordinados a bispos e, por isso mesmo, escapam de sanções da Igreja. O padre, que vive como teólogo, compara a homossexualidade a ser canhoto. Ou seja, um porcentual- da população nasceria -homossexual, assim como nascem pessoas que escrevem com a mão esquerda. “Aproximadamente 9,5% das pessoas são canhotas e isso também já foi considerado uma patologia.”
Alison conta que a Igreja Católica faz um malabarismo ideológico para sustentar a proibição de ser homossexual-, pois no ensino teológico do Vaticano o fato em si não é considerado pecado. “Eles dizem que ‘enquanto a inclinação homossexual não seja em si um pecado, é uma tendência para atos intrinsecamente maus’, uma coisa confusa e insustentável a essa altura.” O padre acredita, porém, que a aceitação da homossexualidade pelos católicos melhorou sob Bento XVI. “Neste tema, os prudentes calam e os burros gritam. João Paulo II promovia os gritões. Hoje a tendência é prudência. Já não se veem bispos falando publicamente que é uma patologia. Se a Igreja reconhecer que não há patologia, será natural reconhecer a homossexualidade. É um lado bom de Ratzinger, mas tudo isso ocorre caladamente, nos bastidores da Igreja.”
Para o padre, a falta de discussão no catolicismo sobre a homossexualidade “emburreceu” as pessoas para o debate em torno da pedofilia, que tanto tem causado danos à imagem da Igreja nos últimos anos. Daí a reação lenta diante das denúncias. E também se tornou um obstáculo à evangelização. “A homofobia instintiva já não é mais realidade, há cada vez mais solidariedade fraterna concreta. Muitos jovens são por natureza gay friendly. E se perguntam: por que seguir Jesus se tenho de odiar os gays?”
Publicado em: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/ser-gay-e-pecado

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